Nazismo e a Comunidade Popular
Os Fascismos - O Nazismo Nazismo e a Comunidade Popular (Volksgemeinschaft) O Nazismo vem reforçar a ideia de 'comunitarismo' (algo realmente 'socialista' não somente no nome), um Volksgemeinschaft, 'comunidade popular', a importância de se pertencer a um grupo, numa ação coletiva. "O nacional-socialismo sempre procurou satisfazer essa ânsia de dependência, de participação, por meio de uma multiplicidade de campos de ação social sempre renovados. Uma das ideias fundamentais de Hitler, recolhidas da experiência de uma juventude na qual ele próprio se viu pessoalmente 'abandonado', era que o homem reclamava esse 'pertença', seja de que natureza for." E "(Hitler) redescobria realmente esta vontade muito antiga: os homens sentem necessidade de se integrar nas estruturas ordenadas. Existe um prazer de preencher uma função e não deve causar surpresa que os homens aceitem com mais facilidade o sacrifício de sua própria personalidade que o do exercício de sua liberdade intelectual." (ambas as citações in J. Fest, Hitler) Procurando manter o proletariado submisso, os nazistas realizam um 'trabalhismo' visando conciliar os conflitos entre patrões e empregados, amortecendo a 'luta-de-classes', onde os sindicalistas eram neutralizados, e os proprietários continuavam donos e financistas, mas submetidos à vontade do Estado. "Nosso socialismo tem uma forma de agir muito mais profunda. Não modifica a ordem das coisas, não faz senão mudar as relações dos homens com o Estado... Que siginificado têm a partir de agora as expressões 'propriedades' e 'rendas'? por que teremos necessidade de socializar os bancos e as usinas? Nós socializamos os homens." (J. Fest, Hitler, p. 512) A 'conciliação' dos conflitos trabalhistas passava pela arregimentação da Frente Alemã de Trabalho (Deutsche Arbeitsfront), pela Força da Alegria (Kraft durch Freud), pela Beleza do Trabalho (Schönheit der Arbeit), onde havia a modernização das instalações industriais, a melhoria das condições de higiene, a administração do tempo depois do trabalho (na Itália havia o Dopolavoro), a possibilidade de trabalhadores se divertirem em viagens durante as férias. Mais detalhes em http://en.wikipedia.org/wiki/Kraft_durch_Freude e também em http://en.wikipedia.org/wiki/Beauty_of_Labour (ambos os links em inglês) A glorificação do trabalho, em métodos herdados do taylorismo e do fordismo, para amortecer a 'luta de classes' e disfarçar aos proletários a perda da liberdade e da decisão política. "A perda da liberdade e da autonomia social, a severa e permanente fiscalização, a participação nitidamente mais fraca no Produto Nacional Bruto, no entanto aumentado; tudo isso quase não permitiu que a classe operária se irritasse. Os lemas ideológicos por sua vez também se mostraram incapazes de conquistar tanto essa classe como a burguesia. Muito mais importante foi o sentimento, após anos traumatizantes de medo e de depressão, de ver restaurada uma certa segurança no setor social." (J. Fest, Hitler, p. 516) Mais: "O socialismo do NSDAP permanecia evidentemente sem programa e só se definia na língua metafórica e conjuratória de uma consciência paracientífica: era 'o princípio de rendimento do oficial prussiano, do funcionário alemão incorruptível, o dique, a prefeitura, a catedral, o hospital de uma cidade livre do Reich, era tudo isso'; também era 'passagem da classe operária ao trabalhismo'; mas justamente a diversidade sincerade seu vocabulário é que o tornava popular. 'Um salário honesto para um trabalho honesto': isso dizia mais aos espíritos do que uma certeza de salvação." (J. Fest) Apelando para o anti-capitalismo, mas se aliando com os grandes empresários (principalmente das indústrias pesadas, as químicas e siderúrgicas, as de armamentos e munições), os nazistas faziam às claras um jogo populista e às escuras um jogo armamentista, belicista. continua... Leonardo de Magalhaens
Escrito por leonardo de magalhaens às 10h24
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