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Blog de leomagalhaens
 


Nazismo - poder e conformidade

Nazismo no Poder: conformidade forçada (Gleichschaultung)

    Enquanto o hitlerismo fosse um movimento 'anti-comunista', dedicado a eliminar os 'esquerdistas' e os 'subversivos', tudo bem, pensavam os conservadores democratas, mas quando Hitler passou a rasgar cláusula após cláusula do Tratado de Versalhes, então a situação mudou: Herr Hitler queria era dominar o mundo! Ou seja, o imperialismo germanico ameaçava diretamente o imperialismo britânico - e também italiano e francês. Com o apoio de Mussolini, interessado na partilha do norte da África e dos Balcãs, Herr Hitler passou a arquitetar o que seria o "Eixo" contra as potências coloniais que não hesitavam em sufocar o potencial germânico.

 

    As intenções dos nazista ficaram claras desde o trágico Incêndio do Reichstag, quando a ditadura começou a tomar forma. Desde aquela noite de 27 de fevereiro de 1933, os comunistas sempre negram participação no atentado. Por outro lado, tudo assinalava uma provocação nazista, a culpar os comunistas. Ainda que estudos revelem que a ação foi de um agente isolado, sem ligação com partidos (é apontado o holandês Marinus Van der Lubbe). O fato é que o atentado precipitou a campanha nazista de repressão aos esquerdistas.

 

    Diz J. Fest, "Em Nuremberg, Goering reconheceu que as providâncias para as prisões e perseguições teriam sido tomadas de qualquer maneira, e que o incêndio do Reichstag só fizer precipitá-las." Uma das fontes de Fest é o ensaio "Der Reichstagsbrand", de Fritz Tobias. Trata também dos bastidores da Gestapo, gestada por ordem de Goering e atuação de Rudolf Diels. O incêndio pode muito bem ter pego os nazistas de surpresa, mas acabou por apressar os preparativos da brutal repressão que se seguiu (e foi atingindo comunistas, socialistas, sindicalistas, social-democratas, religiosos, e até os conservadores!), pois o poder nazista extinguiu o habeas corpus, incinerou a liberdade de imprensa e de reunião.

 

    Mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Inc%C3%AAndio_do_Reichstag e em seguida

http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/o_estopim_da_escalada_nazista_imprimir.html e em alemão : http://www.zlb.de/projekte/kulturbox-archiv/brand/schmaedeke1999-2-1.html

 

    Os conservadores então acordaram! Eis o que era a 'revolução de direita'! Sem força para uma revolução completa, a ascensão nazista foi uma 'conquista gradual', contaminando todos os setores da vida pública e particular. Assim, o Partido (NSDAP) foi substituindo os quadros governamentais, tornando-se Estado dirigente na estrutura do Estado administrativo. "Se o decreto de 28 de fevereiro (1933) efetivava o declínio dos partidos o Estado de Weimar, a lei dos plenos poderes assinalava seu fim moral: confirmava o processo de renúncia dos partidos que remontava a 1930, ano em que foi rompida a Grande Coalização." (J. Fest)

 

    Hitler nem apreciava a ideia de 'revolução': "Nós não somos revoltosos contando com Lumpenproletariat." Preferia ser o dirigente de uma "violência ordenada" o mais 'legalizada possível'. E outra: enquanto na Itália, o Duce Mussolini ficava à mercê do poder monárquico, e do Rei Vittorio Emanuelle II, na Alemanha, Hitler, o Chanceler do Reich, quando da morte do Presidente Hindenburg, viu-se imperando (agora o Fueher!) com seu Partido-Estado, um novo Kaiser sem um Bismarck. O poder executivo torna-se também legistlativo (os decreto-lei) e acabou-se a divisão aconselhada por Montesquieu.

 

   "Na realidade, Hitler levara menos de três meses para arrasar seus oponentes e neutralizar quase todas as forças antagonistas. Para se ter uma ideia da rapidez desse processo, basta recordar que, na Itália, foram necessários sete anos para Mussolini exibir um poder semelhante." (J. Fest, Hitler, p. 484)

 

    No papel de 'legislador', Hitler evitou medidas drásticas que poderiam torná-lo um 'usurpador', daí o gradualismo e o verniz da 'legalidade'. Eliminou a esquerda, neutralizou os sindicatos, quando até o 1o de maio, data dos trabalhadores, é usada para fins de propaganda! Amordaçou os conservadores, ao fechar os partidos de 'centro-direita', tais como o Partido Social-Democrata (SPD), o Stahlhelm, o Partido Populista Nacional-Alemão, o Partido do Estado, a Frente Nacionalista Alemã, o Partido Populista Alemão, o Partido do Centro, até que em 14 de julho o NSDAP é o único partido legal.

 

    Mas não trata-se de uma estruturação Partido-Estado eficiente. Muitos departamentos se repetiriam, entrando em ações paralelas e até contraditórias. Burocracia estatal se somando a burocracia partidária! O totalitarismo é frágil: é refém da burocratismo. "Num contraste absoluto com a lenda popular que exalta o poder de decisão dos sistemas totalitários e sua enetgia realizadora, o que diferencia na realidade tais regimes dos outros de organização estatal é o fato de estarem muito mais próximos do caos: toda a pomposidade da ordem expressa não é, em última análise, senão uma tentativa para dissimular, por trás de uma fachada grandiosa, a confusão inevitável inerente a essa técnica do poder." (J. Fest, Hitler)

 

    Para disfarçar asineficiências, o Nazismo não hesitavam em 'gritar mais alto', em 'ritualizar' a vida social. Daí toda a mística que o caracteriza. Irracional, religioso, dramático. O Nazismo com seu pseudo-cristianismo e pseudo-paganismo estimulava os irracionalismos, os fanatismos da intolerância, num movimento anti-iluminista, ou seja, toda uma evidente regressão!

 

    O ressentimento religioso e sua consequente intolerância é incapaz de compreender o avanço do Iluminismo. Imagine esse fanatismo num país contra-revolucionário e numa crise econômica. "(Max) Scheller cita como sintomas da tendência anti-racionalista da época o bolchevismo, o fascismo, os movimentos de juventude, os frenesi da dança, a psicanálise, o novo culto da infância e a nostalgia de uma mentalidade primitiva ávida de mitos" (Nota do Livro V, in J. Fest, Hitler) Um desejo de fuga, de retorno ao seio da tradição, contra um mundo mecanizado, industrializado, especializado (ainda que o Exército alemão logo mostraria sua 'Blitzkrieg' altamente técnica e mecanizada!) O mesmo fenômeno que se nota nos japoneses, uma 'duplicidade' querendo a técnica moderna apenas para melhor resguardar a tradição! Absorver a industrialização ocidental sem perder os tradicionalismos. (Difere dos turcos, que se ocidentalizavam)

por Leonardo de Magalhaens 

http://segundaguerramundialww2.blogspot.com

 



Escrito por leonardo de magalhaens às 20h39
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