Quem eram os Fascistas?
Quem eram os fascistas?
O fascismo e os Intelectuais - Muito escreveram sobre a atração que o fascismo, o irracionalismo, exerce sobre os intelectuais (no Brasil temos exemplos, vejam Plínio Salgado e Gustavo Barroso, além de Cassiano Ricardo e Guilherme de Almeida, modernistas e nacionalistas exaltados), através de imagens simbolicas e as promessas de aça/modificação social. Um chamado ao intelectual para que deixe a "torre de marfim" e se uma ao povo, numa "causa coletiva", uma "luta comum". Assim, na Itália, no movimento fascistas encontramos ex-socialistas, e jornalistas e litertos, todos muito empolgados. Assim um Giuseppe Bottai, um Alessandro Pavolini, que semelhantes ao Dr. Goebbels, não hesitaram em dedicar seus talentos a causa nacionalista tradicionalista, através da mídia, dos jornais de grande circulação, dos discuros nas rádios, do trabalho na administração publica, ou seja, na "formação da opinião", já digerida para consumo popular. (Alguns exemplos extra-italianos, de intelectuais engajados no Fascismo. O filósofo Heidegger na Alemanha, o escritor Knut Hamsun, na Noruega, o escritor francês Céline e o poeta norte-americano Ezra Pound. Para ficarmos entre os mais famosos.) Interesse que em plena era do Iluminismo, com as genialidades de Diderot, Rousseau, Voltaire, Montesquieu, haviam os chamados "déspotas esclarecidos", que diziam compartilhar as Luzes, mas de forma paternalista, sem emancipação do povo. O Fascismo em pleno seculo 20 muito se assemelha ao tal Despostismo Esclarecido, que pretendia 'mudanças', de cima-para-baixo, para resguardar o poder da Nobreza (os aristocratas, os monarquistas). Os despostas esclarecidos queriam evitar uma 'revolução burguesa', enquanto os fascistas lutavam contra a 'revolução proletária'. Voltados para a 'questão social' - relevante desde a Revolução Francesa com seus sans-culotes e jacobinos - os regimes estatistas - onde o governo tentam paralisar os movimentos revolucionarios - pregam o onipresente 'coletivismo', o "espirito de comunidade". Interessante que tanto o bolchevismo (que se diziam 'comunistas') quanto o nazismo valorizavam mais o coletivo que o individuo. A valorização do coletivo é uma antiga reivindicação socialista. Os fascistas então passam a usar o Estatismo leninista, e fazerem reformas ANTES que o povo guiado pelos revolucionarios tentem um levante. Ou seja, seguiram o modelo esquerdista para justamente evitar a revolução (dita) comunista. Daí os ex-socialistas (e existem em todo recanto) proclamarem a adesão ao novo ideal nacional: o sepultamente da 'luta de classes'. (Como se Marx tivesse inventado o conceito! A Luta de Classes é um motor do movimento histórico que foi observado por Marx. É como dizerem que Einstein inventou a velocidade da luz! Einstein apenas criou teorias e conceitos baseados na velocidade da luz, uma realidade física, independe da vontade dos cientistas.) Quem eram os fascistas? Intelectuais, ex-socialistas, conservadores, cristãos, militares, juízes, advogados, pequenos comerciantes. Não exatamente a classe alta (que pensamos serem os conservadores-mor) mas a classe média, ambicionando ser a classe alta de amanhã. Mas, a situação econômica italiana causa mais é uma proletarização dessa classe média, além da 'ameaça' dos movimentos socialistas e comunistas (além dos anarquistas). Querendo ser rica, a classe média morre de horror de ser jogada entre os pobres. Pior ainda se os pobres subirem ao poder! Temendo o próprio movimento esquerdistas, muitos socialistas passam para o campo oposto, o Partido Nazionale Fascista (PNF). Assim um Roberto Farinacci, que atuava no sindicato fascista dos ferroviários, um fascista agrário anticlerical, que era anti-tedescos e depois passou a ser entusiasmado apoiador dos nazistas (quando tornou-se secretário) O próprio Mussolini, como sabemos, foi socialista. Também Michele Bianchi (foi secretário, Ministro do Interior), e Leandro Arpinati (que foi sub-secretário), que iniciou sua vida política como anarquista, e depois socialista. Haviam os monarquistas clericais, todos os que se sentavam a sombra do rei Vittorio (um exemplo é o Conde Ciano, foi embaixador e Ministro de Relações Exteriores), e haviam os fascistas republicanos (que apoiaram Mussolini depois de 1943, quando da República de Salò), como é exemplo Alessandro Pavolini. Os ex-soldados encheram as fileiras fascistas: Ettorre Muti (aviador, foi secretário), Emilio De Bono (foi ministro), Italo Balbo (aviador, foi Ministro da Aeronáutica), Dino Grandi (Ministro do Exterior), Giuseppi Bottai (ministro das Corporações), Achille Starace (da Milicia, OVRA), para mencionar os 'figurões' do PNF. O que mostra que o Fascismo enquanto Partido não era unido (nem tampouco o NSDAP, os Nazistas, entre a 'real política', vide um Ribbentrop, um Goering, e o racismo fanático, um Himmler, um Heydrich) com um Bottai ambíguo, querendo socializar e manter a ordem (a capitalista, a do sistema econômico), batendo de frente com um Arpinatti que ressitia ao Estado total. Somente a cumplicidade dos fascistas, após o assassinato do deputado socialista Giacomo Matteotti, em junho de 1924, consolidou uma política conjunta para se manter no poder, sufocando os outros partidos. Depois de 1933, outra divisão se notou entre os italianos, os que eram nazófilos (Farinacci, Buffarini Guidi, Starace, Muti) e os antinazistas (Balbo, Ciano, Grandi, Bottai, Badoglio, Del Bono), o que fragilizou a coesão das forças italianas na Guerra (foi Mussolini quem realmente apostou tudo no jogo do Fuehrer) Para quem lê em italiano veja http://it.wikipedia.org/wiki/Giacomo_Matteotti A ditadura fascista, assim, durou de 1924 a 1943, quando os Aliados anglo-americanos e franceses atingiram o norte da África e avançaram no Mediterrâneo até a Sicília, e os figurões do partido se reuniram no Grande Conselho (julho/1943) e Grandi, Bottai, Ciano, Del Bono votaram contra Mussolini. (Depois os que votaram foram 'justiçados' pelos que seguriam o Mussolini-fantoche dos nazistas, até mesmo o Conde Ciano, vejam em o Processo de Verona, quando são executados os líderes acusados de 'traição', http://it.wikipedia.org/wiki/Processo_di_Verona . Muitos italianos - da própria cúpula fascista - eram contra a aliança militar com o III Reich (Alemanha nazista), que levaria a uma guerra total contra a Grã-Bretanha e os Estados Unidos da América, além da rival França. Assim encontramos Italo Balbo, famoso aviador, que ousou duas travessias do Atlântico, em 1931 e 1933, e morreu vítima da própria artilharia anti-aérea italiana em Tobruk, junho de 1940. Balbo era fã do Ocidente, amigos dos anglo-saxões, e desconfiava da competência bélica italiana. Uma luta contra os ingleses no Egito e no Sudão, e no Oriente Médio, além do Mediterrâneo? Um conflito com os franceses na Argélia e na Síria? Com que recursos? Derrotar a Etiópia e a Albânia é uma coisa, outra é desafiar as potências! O próprio Mussolini sabia que uma guerra poderia levar a Itália a ruína e avisou ao Fuehrer. Mas em 1940, empolgado com os sucessos germânicos, não hesitou em invadir o sul da França, e o Egito, onde sofreu resistência nos dois fronts. Paralisados nos Alpes franceses, e praticamente aniquilados na África do Norte, por reduzidas forças inglesas, os italianos logo descobrem que a guerra será total e acima de tudo "guerra de material" (Materiallenschlacht, material war), não bastam numerosas tropas, mas recursos industriais, logística, apoio aéreo, uma mobilização nacional, enfim. A primeira grande derrota italiana na Segunda Guerra Mundial em http://www.2guerra.com.br/sgm/index.php?option=com_content&task=view&id=22&Itemid=28 e http://www.grandesguerras.com.br/artigos/text01.php?art_id=216 por Leonardo de Magalhaens
Escrito por leonardo de magalhaens às 11h05
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