Fascismo Italiano (Intro)
Os Fascismos
O Modelo Italiano Mesmo vitoriosa na Grande Guerra, a Itália não se recuperou das perdas e baixas. Sentiu-se humilhada nos acordos com as potências (Reino Unido e França, principalmente) e abalada por movimentos de Esquerda (exatamente o que acontecia na Alemanha, na França e na Europa Oriental), a ponto de recorrer aos movimentos conservadores (e também 'revolucionarios') de Direita: os camisas negras, os Fascistas. Como os adeptos de Mussolini subiram ao poder? Pressionando os monarquistas tradicionalistas até que o rei Vittorio Emanuelle 'convidou' o Duce para formar um gabinete de governo. Essa união de monarquistas e burgueses já era esperada (e denunciada) pelos libertários (socialistas e anarquistas) desde a aurora do século. Uma caricatura do tcheco Franz Kupka, "Liberté", publicada em "L'Assiette au Beurre" (jornal libertário francês, 1901-1912), mostra um rico e gordo capitalista, de cartola e charuto, acomodado em sua poltrona, cercado de exército e cavalaria, canhões e gerdames, com atenção voltada para a coluna de operários, trabalhadores que seguem para as fabricas de sua propriedade, cujas chaminés esfumaçantes podem ser vistas ao fundo. A exploração do proletariado é feita com a força do Estado, mantido pelos proprietarios. Outra caricatura, esta alemã, de 1926, mostra o rei italiano. "O Rei Vitor Emanuel homenageia o símbolo do Novo Império Romano", onde cercado de camisas-negras de braços erguidos, deposita uma coroa de louros ao pé do busto onde se lê: "Der Begründern des Neuen Romischen Weltreichs", e onde se ergue uma loba, mastigando a 'província do Tirol', mas que não amamenta Remo e Romulo, mas um gordo bebê Mussolini e um barbado bebê D'Annunzio! Os alemães ainda não sofriam a ditadura hitlerista, em 1926, por isso ainda podiam criticar o imperialismo italiano (ao qual Hitler logo se aliou), denunciando as intenções belicistas do novo governo fascista. Por que o fascismo leva à guerra? Por necessidade de manter o povo arregimentado, em estado de alerta, como soldados disciplinados e obedientes, no sentido de manter (e conquistas) as colonias afro-asiaticas que ainda não estavam em poder de ingleses e franceses. Além do mais, havia uma ameaça: o comunismo. "O Estado fascista é um tipo de Estado autoritário de uma sociedade em crise. O regime ditatorial forjou novas instituições sem, no entanto, fazer desaparecer muitas das antigas." Ou seja, numa especie de 'reformismo' de 'cima-para-baixo', à la Bismarck, antes que "o povo a faça" Um movimento ampliado pelo Estado - que passa a ser identificado ao Povo e ao Partido. (Fenômeno notavel desde Lênin, quando o PCRS assimiu o Estado-URSS) Daí dizer que o Estado é totalitário, Estado-Partido influindo e controlando em todas as ações dos cidadãos. "Espiritual e materialmente não existiria qualquer atividade humana fora do Estado, neste sentido o fascismo é totalitário" (Mussolini, 1935) "Eu tomo o homem no seu nascimento e não o abandono até a morte, quando cabe ao Papa se ocupar dele", dizia o cinico Mussolini, acrescentando sempre que "Tutto nello Stato, niente al di fuori dello Stato, nulla contra lo Stato" (Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado), numa coletivismo-estatista que muito se assemelhava ao Estado stalinista que surgia na URSS! (Para melhor combater o que chamavam de 'comunismo', os fascistas não reforçavam a Democracia, mas implantavam uma ditadura estatista praticamente semelhante ao estalinismo - com uma diferença: numa 'revolução' de cima-para-baixo, com apoio das elites)(Lembrar que em 1929, o Times (London/GBR) usa o termo 'totalitarismo' para comparar fascismo e bolchevismo (URSS)) Agindo como 'unificador', o Estado amortece a 'luta de classes' num sistema de corporações (daí o termo 'corporativista'), estabelecendo 'leis trabalhistas' (vide o Estado Novo em Portugal e o Estado Novo no Brasil, com um 'trabalhismo' composto de sindicatos atrelados, onde a ação proletária era totalmente sufocada), onde os patrões e empregados unidos nas corporações buscavam minimizar os conflitos entre Capital e Trabalho. Essa política de 'apaziguamento' entre operários e patrões é corporativista a lembrar os moldes medievais em contraponto aos métodos capitalistas, que causam a desunião nacional. (Ou seja, um Estado forte para impedir os 'conflitos sociais' e os 'antagonismos de classe' que são mais claramente notados num 'sistema parlamentar'.) "A democracia termina e o fascismo começa onde o poder político e o poder das empresas são inseparáveis.", disse Mussolini, sem acrescentar o poder da imprensa e da religião. A democracia perdeu o sentido quando se tornou mera peça de propaganda - os cargos políticos sob controle das elites que manipula o voto popular. O fascismo colocaria as 'coisas nos eixos', tiraria as máscaras! Surge então o mito da eficiência do Fascismo, o fim dos atritos, a união social - pura maquilagem! Tanto é 'retórico' o modelo italiano, de tamanha verborragia e arrogância, que ostentando todo um discurso militarista guerreiro, o exército italiano não conseguiu atingir as mínimas metas em sua campanha desastrosa na Segunda Guerra Mundial. (A fraca Etiópia - ou a Albânia - nem se compara ao eficiente exército britânico no deserto!) Querendo ganhar a guerra com grandiosos discursos foi o 'tiro no pé' para o governo do Duce.
continua...
por Leonardo de Magalhaens
Escrito por leonardo de magalhaens às 10h27
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