Os Fascismos enquanto Tradicionalismo
OS FASCISMOS
Os Fascismos enquanto Saudosismo e Tradicionalismo Um olhar para o passado: eis o que guia a imagética dos fascistas. Uma Espanha guerreira, a dos Reis católicos na luta contra os mouros. Uma Alemanha guerreira, aquela dos Nibelungos, das hordas germânicas. Uma Itália guerreira, aquela das legiões romanas que conquistaram as bordas do Mediterrâneo e o Oriente. Uma imagem das guerras como feitos gloriosos, como única legitimação da existência nacional. "Os movimentos fascistas - o italiano e o alemão - não apelavam aos guardiões históricos da ordem conservadora, a Igreja e o rei, mas ao contrário buscavam complementá-los com um princípio de liderança inteiramente não tradicional, corporificado no homem que se faz a si mesmo, legitimado pelo apoio das massas, por ideologias seculares e às vezes cultas." "O passado ao qual eles apelavam era uma invenção. Suas tradições, fabricadas." Fascismo e Cristianismo O vetor 'conservador' do Cristianismo, a hierarquia, com seus pilares de família (o patriarcado), de propriedade (a concentração de renda, as empresas, os latifúndios), a herança (transmissão de riquezas em lugar da distribuição), com seu culto à TRADIÇÃO, sempre apoiou os regimes de direita, os conservadores, os reacionários, aqueles que prometem manter as trdições, serem defensores da família (pois favoráveis ao homem no serviço e a mulher no lar, são contra o aborto e a livre cidadania dos homossexuais), serem defensores da pleno usufruto de posse e renda vindos da terra, a transmissão de bens e títulos de pai para filho, na defesa da livre iniciativa capitalista Assim os cristãos elitistas não hesitaram em apoiar regimes fascistas em Portugal, Espanha, Itália, Alemanha (até certo momento, quando Hitler tirou a máscara), Áustria, Hungria, Rumânia, Noruega, França (o governo de Vichy), Argentina (o peronismo, depois os militares), Brasil (vide o Sr. Plínio Salgado). Os governos fascistas, com seu sistema autoritário, hierarquizado, centralizado, encimado por um arrogante líder populista carismático, manteve a Monarquia (e o catolicismo) na Itália (com o rei Vitorio Emanuelle II, Mussolini e o Tratado de Latrão), a monarquia 'suspensa' na Espanha (com a regência do Generalíssimo Franco, até a volta dos Bourbons, o Juan Carlos I, em 1975), fortaleceu a República, em separação Estado/Igreja, sem desfavorecer a igreja, em Portugal (com Salazar e a Concordata/1940, manteve a República no Brasil (com o ensino religioso na era Vargas) (Notar bem: o vetor humanista do Cristianismo é a solidariedade, o amor ao próximo, a dignidade humana, o comunismo enquanto congregação comunitária, a busca da saúde natural e da sexualidade consagrada.) Os Fascismos enquanto irracionalismo místico-religioso Com a apoteose do 'culto a personalidade' do Líder, do Guia, do Condutor, com um aparato ritualístico de cerimoniais e eventos, jogos de luzes em grandes desfiles e discursos fervorosos que mais parecem sermões de púlpito. É estimulado todo um fanatismo cívico - o Estado é sublimado e o Líder é divinizado - que não pode aceitar o rival que é a religião formal, a instituição, as seitas organizadas. Se uma "religião do Estado" é implantada não pode aceitar as várias religiões, o poder do Vaticano ou do Conselho luterano. Assim, os líderes procuram logo neutralizar ou elimnar o poder dos religiosos, através de acordos (concordatas) ou através da repressão (perseguição, prisões, campos de concentração), de forma a tornar o Líder/Guia um semi-deus num culto estatal. Claramente, que este caráter anti-iluminista (no sentido de místico e obscurantista ) é uma marca registrada do Nazismo, com seu misticismo recheado de paganismo dos deuses teutônicos e sagas nórdicas, mas todo esse caráter de DRAMA E ENCENAÇÃO TEATRAL, com desfiles, paradas, rituais, ceremoniais, uniformes, símbolos, estandartes, mitologias, exaltação do passado, êxtases místicos, culto a personalidade, vem a encenar a Grandeza, a Vitória, a Glória, numa MOBILIZAÇÃO PASSIONAL do povo. Muita emoção para ocultar o péssimo estado das finanças e a exploração do capital. continua
by Leonardo de Magalhaens
Escrito por leonardo de magalhaens às 17h45
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