A Figura carismática do Líder
A FIGURA CARISMÁTICA DO LÍDER A figura do Pai do Povo – o Líder corporifica o Estado A função paternalista do Estado se corporifica na figura do Pai do Povo,do Líder, do Salvador-da-Pátria. A figura carismática é importante para congregar o povo, na promessa de exercer o seu papel de protetor, de salvador, sempre preocupado com os pobres, disposto a aliviar o sofrimento dos menos favorecidos. Personifica assim o “paternalismo estatal”. Espera assim que o proletariado, ao contrário de assumir o poder e controlar a produção, deixe-se ficar sob a tutela do Estado que se diz (o Estado) acima da “luta de classes” (enquanto Marx diz que o Estado, afinal de contas, serve aos interesses das classes dominantes, os proprietários dos meios de produção – os latifundiários, a burguesia urbana, os industriários.) Quando o Estado procura agradar a patrões e empregados, sem alterações sociais, é por temer das classes dominantes em perderem o controle da situação. A Burguesia pretende – através do Estado – em estilo bem populista – distribuir satisfações às classes baixas – por exemplo, redução da jornada de trabalho, lazer, renda para formar “mercado consumidor interno” – para evitar de “perder os dedos”, e repetir assim o erro da nobreza (que perdeu os dedos por não repartir os anéis). Assim toda a sociologia da burguesia visa entender os antagonismos de classes para evitar uma nova revolução, que pode se tornar uma “revolução proletária”. Nos povos sem experiência democrática, ou que se encontram em momento de crise política e/ou econômica, o surgimento das figuras individuais carismáticas (líderes) tem grande proeminência, a ponto de se confundirem com as massas, moldarem um Regime, simbolizarem a Pátria, corporificarem o Estado. Os russos idolatravam a figura de seu Czar (mesmo o Nicolau II, deposto pela Revolução de 1917), como uma figura paterna, o Paizinho. Com o aprofundamento da Revolução, impôs-se a figura d Lênin, protetor e guia (afinal, dois atributos dos pais). Depois o ‘culto à personalidade’ louvou o ditador Stálin com o status de Pai do Povo, ainda que Stálin estivesse mais para o Grande Khan do que para o paizinho ao estilo Nicolau II. Outro exemplo é o dos alemães. Até a I Guerra a figura do Kaiser Wilhelm (Guilherme) II era a de líder militar dos alemães, com seu ar guerreiro (ainda que deficiente de um braço). Com a derrota da Alemanha e a abdicação do Kaiser, os alemães tentaram uma experiência democrática, após eliminarem os extremismos de esquerda. Foi a instável República de Weimar. Mas apenas conseguiram conservar (e dinamizar) os extremismos de direita, os nacionalistas, com idéias socialistas (sem socialismo!), os nacional-socialistas, ou nazistas, que idolatravam Adolf Hitler (que dizia-se casado com a Alemanha!) que surgia como o Líder e o Salvador. Antes de Franco, o vencedor da Guerra Civil, os espanhóis viviam numa Monarquia. O rei Alfonso XIII partiu para o exílio em 1931, após um período se apoiando na ditadura militar do general Primo de Rivera (“O meu Mussolini”, dizia o rei Alfonso), para que os espanhóis tentassem uma experiência republicana, que de tão ousada em rumos esquerdistas, acabou atraindo a ira das direitas (a Falange, a Igreja, os nobres e o Exército) que derrubaram os legalistas após a Guerra Civil (1936-39) e entronizaram a figura do Generalíssimo Franco, que lá ficou até sua morte em 1975 (quando enfim deixou a Monarquia reassumir) Na ascensão e no poderio dos Ditadores (líderes e salvadores) é importante, do ponto de vista psicológico, uma análise de suas personalidades, seus talentos de oratória e manipulação dos poderes e cidadãos. O ditador seria além do homem-do-destio, o homo ludens por excelência, uma vez que a política pode ser definida como o “jogo do poder”. Aqui a “psicologia pessoal individual” está entrelaçada com a “psicologia coletiva” que leva em consideração o “zeitgeist”, ou seja, o espírito-da-época. Como vivem os cidadãos, como se comportam? O que temem e o que desejam? Assim, nessa ambiência, o Líder pode se articular e jogar com os “medos e desejos” à vontade (ainda que limitado pelas circunstâncias. Mas os grandes homens superam suas circunstâncias. Hitler não era um ‘qualquer’ que se tornou ‘alguém’? E Stálin que não passava de um subversivo, até ver-se no poder? “Os subversivos de ontem são os governantes de hoje”, já disse um estadista inglês) O sistema do Partido, do Governo, pode ser entendido, muitas vezes (não sempre) através da análise do comportamento e da personalidade do Líder. O que ele gosta? O que lê detesta? É paciente ou intolerante? Sabe ouvir ou apenas proclama suas ordens? Essa presença do Líder os novelamentos do Partido, do Governo, atua como uma pedra num lago – transmite-se a toda a estrutura de poder. Assim a desconfiança de Robespierre e Stálin, assim a megalomania de Napoleão e Hitler, assim o conservadorismo de Bismarck e Churchill, assim o perfeccionismo de Lincoln e Lênin, e o militarismo de Mussolini e Franco, e o autoritarismo de Salazar e Vargas. Todos são homens reagindo às suas circunstâncias, reagindo sobre as circunstancias e arrastando as massas populares. Estudando Lênin entenderemos o Bolchevismo, assim como observando Hitler entenderemos o Nazismo. Num Estado Totalitário um indivíduo pode centralizar e canalizar tendências que se transmitem às demais camadas sociais. Leonardo de Magalhaens
Escrito por leonardo de magalhaens às 09h29
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