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Blog de leomagalhaens
 


As Faces dos Fascismos (p1)

Parte 1

 

As Faces dos Fascismos

 

   Os Fascismos tem em comum o tradicionalismo, o anti-liberalismo, anti-iluminsmo, o anti-comunismo, o nacionalismo e o xenofobismo. São, portanto, anti-1789 e anti-1917.

 

    Na definição de Wolfgang Schieder (1922), "fascistas (são) movimentos nacionalistas extremistas de estrutura hierárquica e autoritária e de ideologia antiliberal, antidemocrática e anti-socialista que fundaram ou intentaram fundar, após a I Guerra Mundial, regimes estatais autoritários"

 

   Sendo anti-comunistas buscavam destruir o apelo comunista logo na sua base: a classe proletária. Através de uma co-optação dos proletários, nas Corporações, ou sindicatos atrelados ao Estado, visando tutelar os trabalhadores, afastando-os dos líderes sindicalistas com ideais comunistas.

 

   O nacionalismo era particularmente fascinante aos jovens, que precisam de um sentimento de 'pertença' , de ser parte de algo maior (um grupo, uma religião, uma Nação), e assim havia todo um apelo a juventude das classes proletária e média, principalmente filhos de funcionários públicos, e oficiais militares, para uma união em prol da glória nacional. Onde a guerra (e todo o militarismo) tem um papel de aglutinador social (para amortecer a luta-de-classes).

 

 

Os Fascismos enquanto ‘amortecedor’ da “luta de classes”

 

   Este ensaio visa abordar os Fascismos enquanto mecanismo de acomodação das massas populares e o apaziguamento aparente dos antagonismos de classe, com o processo de hipertrofia do Estado, enquanto moderador. Visa abordar a figura carismática dos lideres, o veículo da propaganda e o papel das corporações. Além da hegemonia do Estado, enquanto corporificação do nacionalismo (Estado-Nação), e a exaltação d guerra enquanto forma de aglutinação social. O ensaio se deterá no fascismo ‘padrão’ do tipo italiano, o ‘extremo’ do tipo alemão, os quase-fascistas ibéricos e o ‘proto-fascismo’ brasileiro, o Estado Novo.

 

"(...)Se os fascistas conseguem desmoralizar e esmagar o inimigo, isto é, a classe obreira organizada, paralisando-a, desalentando-a e desmoralizando-a, a vitória está-lhes assegurada. Mas se, polo contrário, o movimento operário consegue contra-atacar com sucesso e tomar ele próprio a iniciativa, infligirá uma derrota decisiva não só ao fascismo, como também ao capitalismo que o engendrou. Isto acontece por motivos técnico-políticos, sócio-políticos e sócio-psicológicos. No início os bandos fascistas organizam apenas a fracção mais resoluta e mais desesperada da pequena-burguesia (a sua fracção «enfurecida»). As massas pequeno-burguesas, tal como o sector não consciente e não organizado dos assalariados, em particular os jovens operários e empregados, oscilarão geralmente entre os dous campos. Tenderão a unir-se à parte que demonstrar maior audácia e espírito de iniciativa; eles pretendem jogar no cavalo vencedor. É isto que permite afirmar que, do ponto de vista histórico, a vitória do fascismo exprime a incapacidade do movimento operário em resolver a crise estrutural do capitalismo da maturidade de acordo com os seus próprios interesses e objectivos. De facto, tal crise oferece, em geral, de início ao movimento obreiro uma possibilidade de se impor. Só quando este deixou escapar tal possibilidade e se encontra seduzido, dividido e desmoralizado, o conflito pode levar ao triunfo do fascismo.

 

f) Se o fascismo conseguir «esmagar o movimento obreiro sob as suas investidas» terá cumprido o seu dever do ponto de vista dos representantes do capitalismo monopolista. O seu movimento de massas burocratizar-se-á e será absorvido polo aparelho de Estado burguês; isto é possível apenas na medida em que as formas extremas de demagogia plebéia pequeno-burguesa, presentes nos «objectivos do movimento», tenham desaparecido e acabem por ser apagadas pola ideologia oficial(8). Isto não está de forma alguma em contradição com a tendência em tornar autónomo um aparelho de Estado fortemente centralizado. Se o movimento operário tem sido vencido e as condições de reprodução do capital internamente no país tiverem sido modificadas de modo fundamentalmente decisivo a favor da grande burguesia, o seu interesse político centrar-se-á na necessidade duma modificação análoga no mercado mundial. A falência ameaçante do Estado impele na mesma direcção. A política do tudo ou nada do fascismo acaba por ser transportada para a esfera financeira, estimula uma inflação permanente e por fim, não deixa outra alternativa a não ser a aventura militar no estrangeiro. Tal evolução não favorece de maneira nenhuma o reforço do papel da pequena-burguesia na economia e política interior; ao contrário, traz consigo a deterioração das suas posições (com excepção daquela parte que pode ser mantida à custa do aparelho de Estado tornado cada vez mais autónomo). Não se trata do fim da «sujeição ao capital usurário» mas, polo contrário, da aceleração da concentração do capital. Mostra-se aqui o carácter de classe da ditadura fascista, que não corresponde ao movimento fascista de massas. Ela não defende os interesses históricos da pequena-burguesia, mas sim os do capital monopolista. Logo que esta tendência se torna predominante, a base de massas activa e consciente do fascismo decresce necessariamente. A ditadura fascista tende de por si a desfazer e reduzir a sua base de massas. As bandas fascistas tornam-se apêndices da polícia. Na fase do seu declínio, o fascismo converte-se de novo numa forma particular de bonapartismo."

 

fonte: http://eprints.cddc.vt.edu/marxists/portugues/mandel/1969/fascismo/cap03.htm

 

(o sublinhado é destaque meu)

 

 Os Fascismos enquanto Populismo

 

   Populismo: o governo que se diz apoiado pela mobilização das massas populares, como se fosse realmente o próprio povo no poder. É um movimento demagógico (usa demagogia, oratória inflamada e popular, na pretensão de comunicação direta com as bases populares) que não muda as estruturas de exploração, mas se diz no poder devido a ação popular, além da representação democrática.

 

   Contudo a figura do líder populista é uma amostra clara de que não é o povo que governa, mas um grupo que se diz no poder devido ao poder do povo - uma democracia de fachada, de out-door, onde uma real oligarquia diz agir em nome do coletivo, mas atua segundo os próprios interesses.

 

   Para o historiador John Lukacs (o autor do clássico "O Duelo: Churchill X Hitler") o populismo é a praga do Século 20. Os comunistas, os socialistas, os fascistas não passaram de populistas que vieram garantir uma movimentação popular visando alcançar o poder. E depois manobraram, manipularam, enganaram as massas populares, em regimes fechados e repressores.

 

Veja mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Populismo e também http://www.mundoeducacao.com.br/politica/populismo.htm, além de http://www.brasilescola.com/historiab/democracia-populismo.htm

 

continua..

por Leonardo de Magalhaens



Escrito por leonardo de magalhaens às 08h54
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