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Blog de leomagalhaens
 


SOCIALISMO - espontâneo OU partidário?

 

 

Socialismo: espontaneidade popular X vanguarda partidária

 

Uma discussão muito antiga entre os líderes e intelectuais socialistas

é a mesma que empolgava mencheviques contra bolcheviques, irritava

os reformistas, deixava em campos opostos Lenin e Rosa Luxemburgo,

e um indignado Trotsky tentando intermediar. É a questão do Partido,

da vanguarda revolucionária.

 

Deve o movimento socialista esperar um levante popular, espontâneo,

e então nortear as ações? Ou deve ser a vanguarda, os revolucionários

profissionais, articulados por um partido a nível nacional, impulsionando

a tarefa do levante popular?

 

Muitos argumentam (e assim fazia Rosa Luxemburgo) que uma revolução

guiada por um grupo acaba virando a ditadura deste grupo, com um

Partido no poder teremos uma Ditadura do Partido, por exemplo. (O que

acontece realmente) Mas Lenin (e Trotsky) contra-argumentam que um

movimento popular sem organização, sem disciplina, degenera em

anarquia e é facilmente destruído pelas forças contra-revolucionárias.

Um exemplo seria a experiência laboratorial da Comuna de Paris.

 

(Sobre a Comuna de Paris, os

links http://www.espacoacademico.com.br/000/0fontana.htm

http://www.mundoeducacao.com.br/historiageral/comuna-paris.htm

http://www.inverta.org/jornal/edicao-impressa/285/engels-fala-sobre-a-comuna-de-paris

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/07/423583.shtml

http://carlosminuano.blogspot.com/2006/06/revoluo-social-da-comuna-de-paris.html )

 

Convenhamos que a revolução por ser violenta perde-se em violências

que geram mais violências (vide a Revolução Francesa, com os jacobinos,

a Revolução Russa, com os bolcheviques, a Revolução Chinesa, com os

maoístas, etc) o que faz a revolução devorar a si mesma ("a Revolução

devora os seus próprios filhos") e possibilitar a reação (dos conservadores).

 

Contudo, uma democracia com proclamadas liberdades é vazia sem

igualdade, uma igualdade econômica e política. Caso contrário, é mera

demagogia e populismo. O direito de campanha eleitoral e voto é vazio

sem uma real possibilidade de um pobre disputar cargo público e a

participação popular nas decisões tomadas pelos ditos 'representantes' que

somente aparecem em suas 'bases eleitorais' em época de busca de votos.

 

O socialismo viabiliza a maior igualdade (não absoluta, pois os seres

humanos não são iguais), mas de distribuição de meios-de-produção

e de decisão política. Uma administração de baixo-para -cima, com os

trabalhadores assumindo a responsabilidade pela produção, não mais

visando o lucro, mas o bem-estar coletivo.

 

O socialismo visa a superação da luta-de-classes, não a ditadura de

uma classe. A ideia de "Ditadura do Proletariado" é falsa - primeiro,

não queremos uma ditadura, mas a real democracia; segundo, com o

socialismo não haverá mais proletariado, ninguém vai depender de

vender a força-de-trabalho, na exploração e na ameaça de desemprego.

 

Os próprios produtores, os trabalhadores, os técnicos, serão os donos

dos meios-de-produção, vão administrar as rendas e gastos coletivamente.

Os meios-de-produção não serão mais herança, de burguês para burguês,

mas um bem coletivo, que a comunidade administra para o bem comum.

 

Assim o socialismo nasce da conscientização do bem coletivo, contra o

egoísmo e a ambição, visa uma superação humana. Que o homem ouse

deixar a infância de mesquinharias! Que o homem se torne enfim

responsável por sua existência!O übermensch (o além-do-homem) tão

profetizado por Nietzsche, o filósofo da vontade contra o niilismo, só poderá

ser o homem socialista, aquele que superou seus instintos de cobiça, aquele

que deixou para trás das desigualdades sociais. O homem do amanhã será

socialista - ou então a humanidade será mesmo barbárie. (1)

 

Enquanto ainda os círculos do poder, as oligarquias, com uma ambição

desmedida, lutam para sufocar os ideais socialistas, com mesmo ameaças

de armas nucleares (como em toda a 'guerra fria')(2), a ponto de condenar

as futuras gerações à fome e a falta de energia, com a depredação das

reservas florestais e degradação dos nichos ecológicos, o único recurso

para a edificação do homem socialista é a plena educação democrata,

pois a democracia socialista virá como superação da democracia liberal.

 

Ainda mais hoje que as pessoas nem sabem o que seja socialismo, ou

confundem com comunismo e anarquismo, ou achem que o bom mesmo

é o autoritarismo, por não saberem nem o que seja democracia. Associam

socialismo à ditadura de partido e acham que democracia mesmo é do

capitalismo (onde meia dúzia de oligarcas mandam e o resto obedece -

e o povo pensando ser livre!) Esquecem que a real democracia é o governo

do povo e que o povo no poder é o socialismo. Não um povo qualquer -

mas a vontade popular. Para isso é necessário que as pessoas se

interessem por política - a teórica e a prática - que saibam lutar por seus

direitos, cumprindo os deveres, sem esquecerem que a importância de

todas as ações é o bem-estar coletivo.

 

É verdade que o socialismo é anti-individualista, anti-egoísmo, mas não

anti-indivíduo, ou seja, não visa reduzir o indivíduo a peça, engrenagem,

servo, como faz o capitalismo, mas possibilitar que o indivíduo, no âmbito

do coletivo, possa desenvolver suas potencialidades. Era isso que pensava

Marx, isso pensava Rosa Luxemburgo, e não o que pensava Lenin, Trotsky,

Stalin, Mao, Pol Pot, Fidel, quando escravizam o individuo sob a opressão

do Estado total. Confundiram Socialismo com Estatismo - e nisso a chance

para a ascensão dos fascismos.

 

Ainda não existiu o socialismo - uma e outra tentativa, frustradas - nem

poderá existir enquanto existir o capitalismo. Depois do capitalismo, da

derrocada e ineficiência da loucura capitalista ("a burguesia cria os seus

próprios coveiros", Marx) a humanidade precisará estar educada para o

socialismo - ou, então, cairá na barbárie - um real e cruel "Mad Max".

 

Notas:

 

(Nota 1)Não podemos permitir que Nietzsche seja deturpado pelos fascistas, e

que Marx seja dogmatizado pelos comunistas. A força do pensamento

está na ação humana entre humanos, não em prol de uma ideia a justificar

a destruição de seres humanos. Usar uma ideia - uma crença - para legitimar

uma morte humana é o absurdo do fanatismo.)

 

(Nota 2)É possível que os oligarcas prefiram a extinção da humanidade do

que a edificação do socialismo - são os futuros apocalípticos, negativos,

as distopias - que tanto terror e fascínio destilam em filmes como Metropolis,

Mad Max, Blade Runner, Matrix, Planeta dos Macacos, etc. Vão preferir

explodir o planeta do que deixar o poder nas mãos do povo. Basta apertar

um botão numa mesa da White House, do Kremlin ou de Beijing)

 

 

Jan/09

 

Leonardo de Magalhaens

 

 



Escrito por leonardo de magalhaens às 20h46
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