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Blog de leomagalhaens
 


SOCIALISMO X FASCISMO - considerações

 

 

 

O Socialismo é internacionalista

 

Quando se pensa em "Nação" se imagina logo um sistema de Nações e a concorrência de interesses econômicos e estratégicos entre elas. Pensamos assim no 'nacionalismo burguês', quando as oligarquias querem garantir seus povos explorados e seus mercados. Lembramos logo das guerras imperialistas jogando os operários e os camponeses uns contra os outros. Lembramos a guerra total e final - onde os proletários pagam com a vida o sonho de domínios dos oligarcas.

 

Mas o conceito de Nação no Socialismo é mais ligado ao eixo cultural - cultura e linguagem - do que exatamente socio-econômico. Certamente algumas nações possuem mais recursos hídricos e minerais do que outras, mas num mercado global socializado, as trocas poderão ocorrer sob rigorosa negociação (como já ocorre no mundo capitalista, como Marx já prevera). Negociação entre os produtores-administradores.

 

Uma vez que os povos não se tornam um povo só - devido as fronteiras - a política é a única forma de comunicação para assegurar o entendimento e evitar os conflitos. Uma linguagem mundial talvez ajude - como muitos idealizaram o uso do Esperanto. O inglês é uma língua prática e difundida, o que ajuda muito. Assim, não há desculpa para uma diplomacia pragmática - até porque os socialistas não acreditam que as nações devam perder todos os interesses de cunho egoísta.

 

Mas uma vez que a política é globalizada (como já é, através dos órgãos internacionais como a ONU, a OMC, o G-7, etc), os proletários estarão conectados em rede mundial, sem agredirem uns aos outros - certos de que todo sistema de administração COLETIVO prevê uma ação global. A libertação de um povo depende da libertação de todos os povos. O internacionalismo é uma pedra angular do movimento socialista. Assim qualquer nacionalismo somente é aceito em termos culturais, em termos de defesa da diversidade cultural, de idioma e de crença. É o ideal do Romantismo de Lord Byron e Goethe.

 

Ou como bem escreveu Marx, no encerramento do Manifesto, "Proletários de todos os países, uni-vos" ("Proletarier aller Länder, vereinigt euch!")

 

 

 

Fascismo é derrota da classe proletária

 

Quando a classe proletária mostrou incapaz de unir-se e conquistar o poder, as oligarquias reacionárias não hesitaram em entregar o poder aos ultra-conservadores, aos demagogos, que logo imobilizaram (e mesmo eliminaram) os líderes proletários, amordaçaram o sindicatos e criaram um Estado truculento que impediu a Revolução. Chamamos este Estatismo ultra-conservador de Fascismo.

 

O nacionalismo exaltado (desde as "guerras napoleônicas" e as revoltas do período romântico - as mais clássicas as de 1830 e 1848, além das guerras de libertação da Grécia, e de unificação da Itália e da Alemanha) sempre conseguiu isolar os proletários, além de jogar os proletários de uma Nação contra os proletários de outra. E as oligarquias negociavam nos bastidores, bem lá na retaguarda. Enquanto os proletários se matavam nas trincheiras, os negociadores ajustavam envios de armas e anexações de territórios.

 

Os conservadores precisavam conquistar os proletários para as suas políticas expansionistas e não hesitaram em apelar para o patriotismo e o nacionalismo. A idéia de Nação foi colocada acima do conceito de classe (e de 'luta-de-classes', Klassenkampf) e a guerra contra o Outro (qualquer outra Nação) alimentou o revanchismo. Este clima de conflito próximo desestruturou a classe proletária a nível global e permitiu que muitos partidos socialistas votassem à favor dos créditos de guerra - uma guerra que Lenin já classificara de 'imperialista', visando apenas os lucros das burguesias.

 

Conseguindo reunir os proletários, os oligarcas montaram todo um sistema de sindicalismo atrelado - no Brasil, era comum a figura do 'pelego' - que passou a 'amortecer' o peso da luta-de-classes. Aqueles que se mantinham no diálogo governo-patrão-operários estavam prontos a uma acomodação, não a um processo de mudança ou reforma. Assim, os líderes sindicais serviam não aos interesses do Socialismo, mas ao jogo de promessas dos governos.

 

Amortecendo a luta-de-classe, através de um governo que se dizia um 'juiz' prontamente a solucionar os atritos entre patrões e empregados, os regimes fascistas adotaram um meio termo, as chamadas 'corporações' e arquitetaram toda um sistema corporativo, segmentado por profissão e setor da economia, fragmentando e fragilizando (quando não eliminando) as reais lideranças sindicalistas proletárias.

 

Reféns das guerra imperialistas (das quais a Segunda Guerra Mundial foi o 2o round, o mais sangrento), os proletários se permitiram ser jogados uns contra os outros, ou escravizados em fábricas de armamentos, ou morrendo bombardeados nas extensas periferias. Carne para canhão nas frentes de batalhas e vítimas anônimas de uma política que não desejavam e não controlavam. Vítimas do 'populismo' dos nacionalistas, quando a defesa do Povo, Volk, é lema central do Nacional-Socialismo (que é uma contradição em termos, não há 'socialismo nacional'), as massas populares tornam-se rebanhos e instrumentos, para serem guiadas e para serem lançadas ofensivamente contra outros povos.

 

Enquanto o proletariado não tomar o poder e acabar com o próprio fato de existir o 'proletário' - alguém que somente possui sua força-de-trabalho - os cidadãos não terão real controle sobre as políticas e continuarão a ser meros reféns de decisões (e jogadas cruéis) de uns poucos líderes (ou assim chamados). Afastados do poder e submetidos aos regimes que visam o lucro e a expansão, os proletários têm a tarefa de unirem suas forças - afinal são os que produzem o mundo artificial em que vivemos todos - e desapropriarem os oligarcas, assumindo por fim a administração dos meios-de-produção.

 

Quando não mais existir quem tenha a posse dos meios-de-produção e quem somente tenha a posse da mão-de-obra então haverá a verdadeira Democracia, o Socialismo.

 

 

A verdadeira Democracia é o Socialismo

 

Democracia liberal é contra-senso, enquanto democracia socialista é pleonasmo. Existe democracia onde uns poucos detêm os meios-de-produção e os demais somente tenham a força-de-trabalho?

 

Democracia onde as oligarquias escolhem os candidatos oficiais e os eleitores devem apenas aprovar ou reprovar os nomes já definidos? Onde aqueles candidatos com maior verba (e apoiados pelas máquinas estatais) logo ocupam o espaço obscurecendo aqueles candidatos que realmente representam as bases populares?

 

A real Democracia é o governo do povo, não de um gabinete que recebe uma maioria de votos - muitas vezes recorrendo às fraudes - ou de um administrador indicado pelas cúpulas do poder estadual ou regional. A administração popular é aquela em que os cidadãos assume responsabilidades e compromissos na administração - seja da fábrica, seja das obras públicas, seja dos bens públicos.

 

A renovação das forças políticas (que encontramos em Trotsky sob a expressão 'revolução permanente') é necessária para evitar o surgimento de uma 'nova classe', a burocracia, e a formação de novas oligarquias, quando os técnicos (muitos ex-burgueses, ou pequenos-burgueses) desejarem se apropriar dos meios-de-produção. A 'revolução permanente' permitirá a reciclagem das lideranças e evitará as 'gerontocracias' que o sistema estatal apresenta. Com o tempo os próprios operários estarão disciplinados e instruídos para serem seus próprios técnicos. Assim como os soldados aprenderão o que sabem os oficiais e generais, e essas 'hierarquias' somente terão sentido quando necessárias - com as 'milícias populares' nos campos de batalha.

 

 

 

(continua)

 

 

Out/nov/08

 

Por

Leonardo de Magalhaens

 



Escrito por leonardo de magalhaens às 16h21
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