OBAMA: vitória de Martin Luther OU rejeição ao republicano Bush?
Obama: vitória de Martin Luther King Jr.
Ou a rejeição ao republicano Bush?
"I have a dream that my four little children will one day live
in a nation where they will not be judged by the color of their skin
but by the content of their character.
I have a dream today."
Tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos viverão
um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele,
mas pela qualidade do seu caráter.
Tenho um sonho, hoje.
(Martin Luther King Jr., 28 de agosto de 1963)
"I have a dream", discursou Martin Luther King Jr. em 1963, em Washington, simbolizando a luta dos afrodescendentes norte-americanos contra o 'apartheid' da América, onde os negros viviam limitados pelos preconceitos dos brancos, em situações as mais indignas. Negros usam sanitários para negros, só podem comprar em lojas para negros, e negro apenas se senta no ônibus se todos os brancos estiverem acomodados.
Mas será a vitória do Senator Barak Obama a vitória de Martin Luther King Jr.? Será a vitória contra o racismo e o preconceito ? será a afirmação da tolerância e da aceitação? Será a inclusão de negros - e de imigrantes, hispânicos, asiáticos, brasileiros?
Ou na verdade é toda essa "ânsia de mudança" uma decidida reação negativa ao fracasso do governo republicano de George W. Bush? O fato de Hillary Clinton não conseguir unanimidade nem dentro das fileiras democratas? O fato de McCain não ter suficiente carisma? Os discursos inflamados e retóricos de Obama, numa lembrança clara da figura de John Kennedy?
Seguramente se Bill Clinton tivesse elegido o seu sucessor, Al Gore, em 2000, naquela eleição turbulenta, os EUA não teria mergulhado (e arrastado o mundo todo) na catástrofe da era Bush. Mas Clinton, desgastado pelos escândalos sexuais, não conseguiu abafar os barões do petróleo e da indústria, os mesmos que apoiaram os republicanos - que elegeram o fantoche Bush.
O atentado terrorista de 11 setembro 2001 apenas reforçou a unilateralidade e truculência do governo Bush e as tropas ianques passavam a se movimentar nos fronts do Oriente Médio, invadindo o Afhganistan e, um ano depois, o Iraq. E acabaram por re-eleger o Mr. Bush quando movidos pelo MEDO. O medo diante do terrorismo globalizado, as armas de destruição em massa, a guerra generalizada. O medo que nutriu a arrogância de Bush e seus financiadores.
Mas Bush não ficou apenas na arrogância bélica. Passou a ignorar tratados e sabotar outros. Como foi financiado por barões do petróleo, colocou-se fora do Tratado de Kyoto que se propunha a limitar as emissões de gases provocadores do "efeito estufa". Anti-ecológico é pouco para definir semelhante perfil de político. Tudo aquilo que Al Gore denunciava antes agora se desvelava diante da mídia e do povo: a agressão ao meio ambiente é uma ameaça a própria vida humana.
Indiferença e oportunismo marcaram a era Bush. Recebeu o país com um superavit (excedente) e entregou o país atolado em duas guerras, desacreditado, e em plena crise financeira. Tudo culpa dele? Obviamente que não. O capitalismo é um imenso 'remendão' que os reacionários estão costurando desde 1929. (Qualquer pessoa dotada de bom-senso sabe que o Socialismo é melhor sistema econômico. Mas os poucos que estão lucrando querem continuar lucrando...) Outra crise financeira que abala o 'livre mercado' e denuncia o caráter ideológico do neoliberalismo (outra quimera tal qual o comunismo, o anarquismo...), e marca uma volta ao "New Deal" de Roosevelt, em 1933, seguindo a fórmula de Maynard Keynes, ou seja, o Estado vem mais uma vez salvar o Mercado. Sim, o mercado que proclamavam 'auto-regulado'...
Vemos hoje a 'socialização das perdas', quando o Estado compra os bancos falidos, usando o dinheiro do contribuinte. Um Estado que insiste em subsídios, taxações, incentivo a indústria, apoio aos desempregados, todas estas medidas paliativas que nada resolvem a nível estrutural - o keynesianismo é apenas um remendo nos rasgões de um sistema destinado a se auto-suprimir. Ainda mais agora que acordamos em definitivo ao presenciarmos o fim do mito do 'mercado auto-regulado'.
Se Obama não é a ascensão da comunidade afro-americana, ao menos é uma identificação forte para a referida comunidade - um sucessor de Martin Luther, possivelmente. Contudo, será que os WASP (os conservadores) deixarão Obama governar? Afinal, ele terá que superar a herança 'maledita' do Mr. Bush, além das desconfianças e hostilidades dos que lucraram durante todo esse tempo nos corredores e masmorras do Poder.
Será Obama um sinal de derrota do conservadorismo, do 'fundamentalismo cristão' de direita? O real início de uma 'nova era' de paz, produtividade e sustentabilidade? Quem viver verá.
05nov08
Por
Leonardo de Magalhaens
Escrito por leonardo de magalhaens às 19h52
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