GUERRA CIVIL no BRASIL??
GUERRA CIVIL no Brasil
O Exército ocupa as favelas? As mortes superam as baixas no Iraque? O povo – desarmado – somente pode implorar às autoridades surdas e incompetentes. Que país é este?
Para quem se lembrou que mora no ‘país tropical abençoado por deus’ não precisa dizer muito para descortinar as cenas de violência ESTATAL que assola principalmente as ‘áreas de risco social’ nas periferias? Politicamente corretos para se referir a FAVELA.
Favela: lugar que nem deveria existir. Agora querem GLAMOURIZAR, virar atração em Hollywood, fazer cena em Berlim!
Paranóias de pobres esquerdistas? Dos coitados sem-poder? Então leiam alguns trechos da volumosa obra:::::::::::
GUERRA CIVIL - ESTADO E TRAUMA
De Luís Mir
SP: Geração Editorial, 2004
956pp
"Segundo Max Weber, o Estado deve constituir uma forma de organização do poder caracterizada por racionalidade, generalidade e abstração. Uma forma racional de organizar (a 'burocracia', a 'racionalização territorial', a seleção 'meritocrática'), uma forma abstrata e geral de regular (o 'direito igual'), um modelo impessoal de participação política (a 'democracia representativa'). O Estado Moderno caracteriza uma entidade que separou o público do privado, a autoridade da propriedade, a política da economia; promove a concentração de poderes num só pólo e que, por isso, eliminou os feudalismos e privilégios; a entidade que instituiu um modelo racional de governo, funcionando segundo normas gerais e abstratas." (p.41)
"A guerra tecnológica contra a criminalidade é nova em formato e clássica em violência. A simbiose entre técnica e guerra, exército e máquina, atingiu o seu paroxismo: a essência da nova tecnologia policial-militar é a de impedir a dor, abatendo o inimigo implacavelmente, combatendo-o sem piedade. A utopia da guerra indolor, aquela que fulmina o inimigo assepticamente, se impõe atualmente no pensamento policial-militar do Estado sem qualquer contestação. A meta dessa nova guerra contra a criminalidade - inimigos exterminados - servirá para justificar outros atos de terrorismo de Estado.
No ano de 2000 foram assassinadas 55.680 pessoas (Unesco-Datasus), número quase idêntico às 58 mil baixas americanas durante a guerra do Vietnã. Por que a transição para a democracia não originou como prioridade democrática a reforma das instituições de ordem pública? O processo de redemocratização tem uma visão instrumental das instituições policiais, e a função do policial é manter a ordem em sociedades caracterizadas por injustiça social profunda. A polícia não é ator decisivo em golpes militares ou transições democráticas, e raramente está em uma posição de subverter um governo. Os políticos e burocratas, na democracia, continuam controlando e manipulando a polícia com políticas de privilégios, compromissos arbitrários, transferências, promoções, recompensas e castigos.
Paul Chevigny diz que o trabalho policial reproduz ordem social. A remoção dos militares do poder não muda a ordem social subjacente que a prática policial continua refletindo. A polícia é um instrumento basilar do autoritarismo socialmente arraigado que mira as classes perigosas. O pobre vê a lei como um instrumento de opressão a serviço do Estado e da elite a que serve.
Quais são as normas da ordem democrática, aceitas e aplicáveis pelo Estado? O discursos da intervenção humanitária é no que ele baseia seu aparelho da ordem, assentado num forte contexto jurídico, para induzir a sociedade a acreditar que o uso da força indiscriminada que restaurará a paz e tranqüilidade é o costume e a prática dessa mesma sociedade e que ele está dando resposta, unicamente, a essa aspiração." (p. 379)
"Quase todos os conflitos contemporâneos, dentro das fronteiras nacionais, como é o caso brasileiro, apresentam uma conta impagável: 90% das vítimas de guerra são civis (principalmente jovens, crianças e mulheres). Policiais, marginais, assaltantes, seqüestradores, vigilantes privados, usam impunemente crianças e mulheres como alvo, matando-as cruelmente, enquanto crianças matam outras crianças, mulheres outras mulheres e jovens outros jovens e a polícia extermina indiscriminadamente. Com a expansão do comércio internacional de armas, as guerras internas do final do século XX provocam insegurança humana crônica e atrocidades flagrantes, as populações governadas e ameaçadas por grupos criminosos, públicos e privados (Unesco, 2000)."
(pp. 384-85)
(continua...)
Escrito por leonardo de magalhaens às 23h24
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