Meu perfil
BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, CARLOS PRATES, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Livros, Música



Arquivos

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis




Blog de leomagalhaens
 


DEMOCRACIA e IDEOLOGIA - Parte 2

DEMOCRACIA E IDEOLOGIA

 

 

Parte 2

 

 

 

    Na democracia representativa, o “representante” (vereador, deputado,

senador) fala em nome da ‘base eleitoral’ que o elegeu, não em seu nome

(na “teoria democrática radical”, de Thomas Jefferson, etc) Assim o tom

arbitrário dos atuais representantes destoa muito do ideal de vontade

popular, estando os representantes distanciados de seus eleitores, e pro-

pondo leis das quais se dizem ‘donos’, como se o importante fosse

inventar leis e mais leis, e não o que o povo deseja (“Leis demais e uma

Constituição idealista não enche a barriga de ninguém”, um colunista

já ironizou) Por outro lado, as democracias ditas “populares” caíram

nas mãos de demagogos e ditadores que não hesitaram em criar ditaduras

do “partido único”, dizendo agir assim em nome do povo (vide os

‘direitistas’, fascistas, etc, e também os ‘esquerdistas’, com Mao, Pol Pot,

Ceaucescu, etc)

 

    Contudo, em pleno “multipartidarismo” com a pluralidade de

opiniões e interesses (o partido depende das bases eleitorais, sua

legitimação depende do grau de comunicação com as mesmas e o

nível de ‘aprovação’), ocorre uma perda de legitimidade,o que permite

uma ampla manobra demagógica, onde tudo é ‘em nome do povo’, e

nada de consultar esse mesmo ‘povo’. (nota 3) E todos se dizem plenos

democratas! Até os religiosos se dizem democratas e até obviamente

os fascistas do século 21 virão dizendo-se “democratas”. É o que se

constitui um “totalitarismo retórico do discurso democrático” (vide

Chomsky, Bobbio, Kurz, Zizek, etc) onde a democracia não passa

de mais um discurso disponível no mercado.

 

    Culpa da “democracia liberal”? Afinal, temos mercado livre, livre

expressão, liberdade de associação, imprensa livre, Estado laico,

liberdade religiosa, tudo isso, mas sem real “democracia econômica”,

onde as disparidades de renda e poder financeiro faz com que ‘os de

cima’ mandem e ‘os de baixo’ obedeçam. Como a “propaganda é a

alma do negócio” (e sabemos disso desde Goebbels!) e “é melhor

dizer que fez do que fazer” (algo de Machiavelli?), a “democracia

liberal” tornou-se mero ‘slogan’, uma bonita ‘palavra de ordem’, tipo

“lutar pela democracia” ou “morrer pela democracia” ou ainda “a

superioridade da democracia”, mas sem perguntar qual democracia!

E sem planejar como vamos construir essa “democracia”! e dizem

que já estamos exportando a democracia (digo, o Ocidente), quando

os Estados Unidos invadem nações para “exportar a democracia”,

assim na Coréia, na Indochina, no Haiti, no Afeganistão, no Iraque,

e, futuramente, no Iran), como se a democracia fosse um produto

com receituário, a ser aplicado em qualquer lugar, sem analisar o

contexto sócio-econômico! (nota 4)

 

    O problema da democracia é o excesso de promessas. Dizer que

vai resolver tudo e trazer paz e liberdade. Mero discurso. A democracia

não deve ser baseada na “liberdade” ou na “felicidade”. Pois ‘liberdade’

não existe (“ou todo mundo é livre ou ninguém é livre”, segundo

Bakhunin), assim erguer a liberdade como estandarte é encenar outra

propaganda ideológica (sem suásticas ou foices-e-martelos). E a

felicidade? Promessas impossível, uma vez que somos insaciáveis,

insatisfeitos por condição existencial (segundo Freud e Sartre), e

felicidade não passa de promessa para as peças publicitárias (sempre

inventando novas necessidades, para que o consumo se perpetue

ad aeternum)

 

    A democracia deve basear-se no diálogo, na representatividade

e na tolerância, pois sem pilares surgem fissuras para a discrimina-

ção e o autoritarismo, torna-se paraísos dos demagogos, com um

acúmulo de promessas não-cumpridas a gerar frustrações, a perder

a legitimidade junto às bases eleitorais, que não hesitarão em entre-

garem o poder a um grupo de ‘salvadores da pátria’. (Alguns acham

mais cômodo – e mais barato – manter uma ‘família real’, contudo

é retrocesso. A divisão de Poderes, os custos do Parlamento, as

viagens do Executivo, tudo constitui o elevado preço a se pagar

pelo equilíbrio instável da democracia.)

 

    Se a demagogia atira a democracia nas garras dos autoritarismos,

a luta por hegemonia arrasa a legitimidade, quando os Estados

passam a pressionar (e controlar) seus cidadãos, como uma “guerra

fria” constante. É definido quem pode se pronunciar, e quem pode

protestar, num jogo de cartas marcadas onde a ‘revolta’ já está no

enredo, onde em nada poderá abalar o poder constituído, mas, ao

contrário, o fortalecendo mais, em nome da ‘segurança nacional’,

do bem-estar futuro, em que um neo-nacionalismo (em plena era

de globalização) não hesita em resvalar para um ‘xenofobismo’.

(nota 5)

 

    Tendo em mente a complexidade do tema, este ensaio (e todos

os outros) deseja apenas uma olhada os progressos e deficiências

do viver democrático. Do mundo democrático que é preferível ao

‘autoritarismo sutil’ no qual vivemos. Democracia não existe, está

 sendo construída (e se quisermos construí-la). E é de se pensar,

se a democracia, o “menos pior dos sistemas políticos”, segundo

Churchill, ainda nem se estruturou, o que esperar de sistemas ideais,

idealistas e utópicos, como são exemplos o comunismo e o

anarquismo?

 

fev/mar/08

 

Leonardo de Magalhaens

 



Escrito por leonardo de magalhaens às 11h24
[] [envie esta mensagem
] []



 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]