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BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, CARLOS PRATES, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Livros, Música
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DEMOCRACIA e IDEOLOGIA - Parte 1
DEMOCRACIA E IDEOLOGIA Parte 1 Ao encerrar o ciclo de ensaios sobre a Democracia e as várias esferas da vida social, com seus progressos e deficiências, é de se pensar se o “ideal democrático” não seria tão-somente outra ideo- logia, outra forma de “engodo retórico” para os demagogos à disposição. Mas precisamos entender o que seja “ideologia”. Constituída por um conjunto de idéias, que totalizam uma visão de mundo (“Weltanschauung”), a Ideologia pode ser o fiel retrato das representações e aspirações de uma classe, como também um instrumento de manipulação (doutrinação dogmática), através de uma “propaganda ideológica”. Assim, de uma “teoria das idéias” pode-se derivar uma “legitimação pelas idéias”, onde as representa- ções tornam-se mais ‘fortes’ que a realidade. Na verdade, a Ideologia acaba por se distanciar da realidade. Assim, Marx, quando defende que as idéias nascem da estrutura social, define a ideologia como um conjunto de “abstrações das relações de produção”. Karl Mannheim, sociólogo alemão, em sua obra de 1930, “Ideologia e Utopia”, reafirma Marx ao esclarecer que “foi a teoria marxista que primeiramente concretizou a fusão das concepções particular e total de ideologia. Foi esta teoria a que primeiro concedeu a devida ênfase ao papel da posição e dos interesses de classe no pensamento.” Assim, a ideologia torna-se sinônimo d “falsa consciência” (falsches Bewusstsein), onde o burguês pensa como burguês, e o proletário pensa igual todo proletário, e cada classe tenta vender sua concepção de mundo para a outra classe: o burguês hegemônico controla as demais, e o proletário quer reunir os demais na “revolução proletária” contra o burguês. (Obviamente que o marxismo de crítica à ideologia, tornou-se também ideologia!) Daí a “questão epistemológica”: qual a base da criação de idéias? Qual a classe social do pensador? Em que meio social a idéia é encarada como ‘verdade’? (pois uma ‘verdade’ para o burguês não será ‘verdade’ para o proletário, e vice-versa) Pois se as idéias nascem do contexto social, elas mudam quando ocorrem mudanças da conduta humana, seja econômica ou politicamente. A idéia é, portanto, mutável, sempre dependente dos objetivos da vida cultural. Afinal, é isso que Marx quer dizer com “a existência social é que determina a consciência” (em sua “Uma Contribuição à Crítica da Política Econômica”, analisada por Jean-Paul Sartre em “Crítica da Razão Dialética”, onde aborda os limites do Marxismo enquanto ‘idéia’ e ‘ideologia’.) Mas quando é que as idéias se tornam ‘ideológicas’? Segundo Mannheim, é quando elas se distanciam da realidade, pois o julga- mento da ‘ideologia’ (e da ‘utopia’) é diante do QUE É, do contexto atual do que julgamos “realidade”. “O conhecimento é distorcido e ideológico quando deixa de levar em conta as novas realidades ao se aplicar uma situação, e quando tenta ocultá-las o refleti-las com categorias impróprias.”(em “Ideologia e Utopia”) Assim, diferen- ciando “ideologia” de “práxis”, pode-se dizer que “ideologia” são idéias sem possibilidade de prática social, ou doutrinas (segundo Napoleão, que atacava assim aqueles que se opunham ao seu Império), onde dizer que o discurso do outro é “ideológico” é dizer que o pensamento dele é “irrealístico”. No mais, uma realidade que depende muito da “posição social do observador”, a determinar sua “visão de mundo” (ou “concepção de mundo”) e sua “consciência de classe”, onde cada “grupo social” quer conservar sua visão (e seus interesses) e se esforçando para estender sua visão aos demais grupos, e se possível moldá-los segundo essa visão, através de uma “pedagogia política”, que não passa de uma “propaganda ideológica”, mais ou menos totalitária (dependendo do ‘aparelho estatal’ e do regime político, se mais inclinado a uma ditadura) (nota 1) Para se situar o que seja “democracia” diante de um “conjunto de idéias”, façamos aqui um resumo da definição (segundo leituras de “esquerda” e de “direita”), onde “democracia” seria um regime político no qual a sobe-rania popular tem voz ativa para tomar decisões básicas importantes sobre as questões essenciais das políticas de bem-estar social (não exatamente “Welfare State”, pois até os fascismos se preocupavam com “bem-estar social”) Assim o “direito básico” do povo (a vontade popular) é tomar decisões – diretamente ou através de representantes eleitos. Uma bela definição. Mas então surge o problema da “decisão coletiva”, que seria a combinação das variadas decisões através de um diálogo público (nas Câmaras, nas Assembléias, no Parlamento) e decididas, se não por unanimidade, pelo menos pela “maioria dos votos”. Daí o “domínio da maioria”, o maior número de preferências (uma vez que é difícil a ‘unanimidade’ numa pluralidade de “visões de mundo” e interesses de classe). E numa votação favorável à maioria, a minoria deve ser tolerada (podendo até originar uma “oposição”) e aceita para novos debates e possível conciliação. (O que não ocorre nos “totalitarismos”, onde os opositores são eliminados, enquanto partido e enquanto pessoas.) O diálogo e a tolerância são dois pilares. O terceiro é a “igualdade”, no enunciado “Um homem, um voto”, onde cada indivíduo com um voto de valor igual. Não importa a classe, a renda ou o credo, mas o valor do voto no processo eleitoral (desde que não se observe fraude). Antes somente os homens de renda votavam, estando as mulheres e os pobres fora do processo. Uma “democracia” ao velho estilo ateniense, diga-se. Mas as participações das feministas (as sufragistas) e dos proletários pressionaram a uma maior representatividade na vida pública. Se igualdade é um dos pilares do regime democrático,é de se pensar se a desigualdade não seria uma ameaça. Ainda que “igualdade social” seja promessa socialista, enquanto a democracia representativa aceita a pluralidade de renda e status. A “democracia socialista” seria um “ideal”, não uma realidade. E não sabemos ainda como alcançar tal ideal (talvez assim permaneça, justamente por ser ‘ideal’. “Democracia socialista” é pleonasmo? “Democracia liberal” é contradição em termos?Se o socialismo for o aprimoramento da democracia, sem qualquer ‘processo revolucionário’ (que sempre é seguido por reacionarismos e resvala para autoritarismos), se o socialismo nasce das perfeitas instituições democráticas, então “democracia socialista” é pleonasmo, no sentido de que a demo- cracia plena é a aquela em que a “igualdade de renda” se aproxima da “igualdade de voto”. O verdadeiro socialismo, por sua vez, precisa ser democrático, pois a desigualdade de renda precisa ser combatida para não se renovar uma concentração de renda, o que inviabiliza a democracia, onde uns manipulam mais que outros, devido à possibilidade de acesso aos meios de comunicação (mídia) e exercem pressão financeira. (Nota 2) (continua) por Leonardo de Magalhaens fev/mar08
Escrito por leonardo de magalhaens às 12h19
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