DEMOCRACIA E SEXUALIDADE (p. 2)
DEMOCRACIA E SEXUALIDADE
PARTE 2
O Aborto
Outro assunto em que os religiosos vivem estagnados. Declaram como “pecado” e pronto. A morte do embrião é ato de ‘sacrilégio’. E não discutem mais. O Aborto é abordado nos aparelhos legislativos com ressalvas, uma vez que não pode ser proibido pura e simplesmente (ainda mais com a abundância de abortos ilegais, em clínicas clandestinas)
O Aborto chega a ser permitido em dois casos: em circunstância de violência e abuso sexual, como é caso do estupro; e no caso de possível perigo à vida da gestante, como é o caso da “gravidez de risco”. Outros legisladores consideram as deformidades do feto, como ausência de cérebro e problemas genéticos. A mãe poderia interromper a gestação.
Assim, são casos excepcionais. A mãe de quinze anos que deseje interromper uma gestação, não-programada e precoce, terá dificuldades, a menos que recorra a uma clínica não-legalizada. Daí a hipocrisia da legislação. Os que podem pagar, pagam, e os pobres assumem novos filhos que nem podem sustentar.
A religião vem negar o direito de Aborto. E o que oferece em troca? A Vida Eterna. E o problema social? Não consideram. Nem permitem a Contracepção, que seria uma das soluções. A religião diz apenas ser favorável a vida abstêmia (outra hipocrisia!) e aos métodos ditos naturais (período de ovulação, a ‘tabelinha’), negando o uso dos preservativos e outros métodos (como o DIU, ‘dispositivo intra-uterino’)
Assim, mais crianças, mais população, mais servos para os templos que procuram quantidade e sempre quantidade! O controle de natalidade é assim sabotado. Ao contrário de ensinarem a contracepção (e assim evitar os conseqüentes abortos) os líderes religiosos insistem em soluções irreais, baseadas em ‘dogmas de fé’, que se revelam totalmente ineficazes (se nem os sacerdotes se privam de vida sexual, imaginem os jovens laicos?!)
A União Civil Homossexual
Outra polêmica a tramitar nos Parlamentos. E o lobby dos religiosos a travarem as pautas de votação! Não percebem a urgência do assunto e a delimitação de direitos. Que pessoas de mesmo gênero queiram se unir é assunto de esfera particular, de foro íntimo. O caso é o de “compartilhamento de bens”, ou seja, um compromisso a nível material, onde uma vida em comum (um casamento, uma ‘união civil’) pressupõe cumplicidade e compartilhamento de ganhos e perdas, com riquezas e bens materiais, que podem ser herdados pelo cônjuge que sobreviva ao falecido.
Não é uma questão “moral”, é uma questão jurídica, de direitos. Não tem nada a dever a religiosos. A homossexualidade, a bissexualidade, a transsexualidade, o que seja, sempre existiu. (Os religiosos bem sabem.) O que se trata aqui é de uma esfera de vida pessoal, de vida econômica, não de âmbito religioso.
Contudo, um detalhe complica as pautas de votação. Se a ‘união civil’ já recebeu amostras de tolerância nas votações, a adoção de crianças não. Ou seja, se os casais homossexuais podem se unir e casar no civil, não podem adotar crianças.
Os religiosos usam um argumento moral, como sempre. Contudo, é o argumento “psicológico” que faz sentido: a perda de referenciais de “pai” e “mãe”, por parte da criança em crescimento, em socialização. Como situar os referenciais de “pai” e “mãe” em seres do mesmo sexo? Qual dos dois homens (ou das duas mulheres) será o “pai” e a “mãe”? É problemática para Freud nenhum menosprezar! Pois se duas pessoas querem se unir, tudo bem. Mas interferirem na vida de um ‘terceiro’, no caso uma criança em formação? É desaconselhável, no mínimo.
É um assunto que somente a Democracia pode colocar em debate.
Jan/08
Por Leonardo de Magalhaens
Escrito por leonardo de magalhaens às 21h22
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DEMOCRACIA E SEXUALIDADE (p. 1)
DEMOCRACIA E SEXUALIDADE
parte 1
A pluralidade das escolhas sexuais tem atualmente movimentado a sociedade não somente a nível de comportamento e compromissos, mas também a nível de legislação. Na tentativa de se adequar às escolhas de sexualidade e compromissos dessas decorrentes, os Parlamentos têm sondado suas bases e tentado ‘contentar gregos e troianos’.
Se aos progressistas agradam os tempos de ‘liberação sexual’, aos tradicionalistas e aos religiosos tudo é ‘abominação’. Os tradicionalistas, entre os quais os restauradores e os fascistas (da tríade Tradição, Família e Propriedade), condenam as “uniões homossexuais” e as práticas de aborto. Os religiosos, os místicos, os proclamadores de “teocracias”, agem igualmente. Condenam e não abrem diálogo.
Assim, se constata que uma Democracia é mais aberta às semelhantes temáticas do que Fascismos e Teocracias. Não é como dizem os retrógrados, que tudo hoje é “pouca-vergonha”. Na verdade, uniões homossexuais sempre existiram, e abortos, igualmente. Apenas hoje em dia se fala mais abertamente. (Assim, como se fala em “corrupção”, não porque a corrupção aumentou, mas porque se abrem investigações, e não são ocultadas por regimes autocráticos, repressores, totalitários)
A livre escolha da opção sexual é do direito de todos. A prática do aborto deve levar em consideração aspectos da saúde da mãe. Os comportamentos e subculturas sexuais devem receber atenção. Toda prática de preconceito apenas inviabiliza o diálogo, cria guetos que impedem a “paz social”.
Contudo, podemos fixar um limiar para essa práticas ditas “alternativas” de prática sexual. E podemos mostrar o século 20 abalado por Revoluções e Contra-Revoluções, e guerras globais estúpidas e sanguinárias.
O Feminismo
Desde as “sufragistas” ( a favor do direito de votação para as mulheres), passando pelas operárias que assumiram os lugares dos homens convocados para as guerras mundiais, as mulheres passaram a atuar na vida extra-lar. Se antes, ocupavam-se principalmente do lar, do marido e dos filhos, ao longo do século 20 passaram a completar os quadros de funcionários, atuando e profissões antes majoritariamente ‘masculinas’, como metalurgia, transporte, cargos públicos, até mesmos nas forças armadas (onde antes integraram, paralelamente, o corpo médico, na figura das enfermeiras)
Contudo, essa ascensão das mulheres ao ‘mundo masculino’ levou a uma mutação de comportamentos sociais, além dos sexuais. Antes, a mulher passava do pai (a família) para o marido (para formar outra família). Agora, não. Criou-se a ‘mulher independente’, que faz do corpo o que bem quiser. Foi uma “independência” que quase dinamitou a família (digo ‘quase’, porque a instituição “casamento” continuou, ainda mais em meios religiosos, tradicionalistas)
(A mulher moderna assusta os homens. É um fato. Se são ‘liberadas’ é que elas ‘liberam’ facilmente. Sem qualquer fidelidade. Quando quere compromisso, envolvimento afetivo sério e vida em comum, os homens buscam as ‘religiosas’, as ‘moças de família’, que são seguramente virgens e submissas, isto é, resignadas por uma educação tradicional. A mulher moderna, assim, só serve para o ‘sexo livre’.)
As mulheres foram para o mercado de trabalho em busca de ‘independência’ mas apenas para ganharem menos e gastarem mais com supérfluos, como são exemplos as promessas da indústria de cosméticos e as banalidades da moda. São mulheres, muitas vezes jovens, que acabam por tirar emprego de pais de família que podem sustentar três, quatro pessoas, em média, enquanto a mulher jovem não sustenta nem a si mesma (visto gastar mais do que ganha, com dívidas múltiplas, principalmente com cartão de crédito, em compras nos shoppings – sem contar aquelas que te verdadeira compulsão às compras!)
A mudança de comportamento ocasionou a fragmentação da família, reduzida a núcleos, daí falar-se em “famílias nucleares”, e não mais ‘dinastias’, mas pai-mãe-filho(a)(s), que se unem por “afeto”. Quando este dito ‘afeto’ acaba, acaba a família. Não importa a ‘dinastia’ (tradicional), mas o “casamento por amor”. Se o “amor” acaba, finda-se o ‘elo matrimonial’ (Nada mais daquele lance de “até que a morte os separe”) Assim, aumentou o número de separações, com os pais indo embora, e as mães assumindo o lar e a renda (Geralmente o pai paga uma ‘pensão’ até a maioridade do(s) filho(s)) A mãe passa a ser mãe e pai ao mesmo tempo. O que gera uma série de transtornos de personalidade e comportamentos (crianças sem senso de autoridade, de ‘limites’, egocêntricas e consumistas)
A legalização do “divórcio” (instituído no Brasil em 1977) propicia a ocasião de novos casamentos e a formação de novas famílias, o que gera desconfortos, pois sempre há a ex-mulher (ou o ex-marido), os filhos do primeiro casamento, as divisões de heranças, as disputas afetivas, as guerras de ciúmes. Como, em segundo casamento, assumir os filhos dele ou dela? Como educar a nova prole? Como distribuir afeto igualitariamente?
Quanto as mulheres que trabalham fora do lar, ou seja, saem da ocupação doméstica, mostram um despreparo para as atividades do lar, não sabem mas cuidar da casa, nem têm mais tempo para educarem as crianças, deixando-as sob cuidados de babás, ou em creches, e os filhos crescem sem contato e orientação materna, sem carinho e tornam-se frias e complexadas, buscando refúgio em amizades efêmeras e suspeitas, em amores substitutos, em promessas de drogas e de consumo obsoleto (os drogados e consumistas de hoje em dia)
Qual a vantagem? Para as famílias, nenhuma. O mercado agradece – visto a mão-de-obra feminina sair mais barata. Mas a família só tem a perder – nem a “família nuclear” anda sobrevivendo. Daí a eficácia do discurso da religião: a volta à família tradicional, a volta ao esquema papai-trabalha-mamãe-cuida-da-casa. Por que deixar aos religiosos a solução de um problema estrutural, e não “moral”? Por que os religiosos insistem nu esquema que deu certo antes? Mas é aconselhável um retrocesso? Como conciliar trabalho externo e estabilidade familiar? Eis um desafio que é atualíssimo.
(continua...)
Escrito por leonardo de magalhaens às 21h20
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