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Blog de leomagalhaens
 


Democracia e Racismo - parte 2

 

  (parte 2)

 

  Democracia racial no Brasil?

 

 

 

    A miscigenação situou o Brasil na categoria de “democracia racial” com uma forte miscigenação (uma vez que raramente se encontram brancos-brancos e negros-negros), com uma ‘raça nova’ a se formar. Um povo amorenado, mulato, nem branco, nem negro. Um cruzamento do porte branco com as curvas negras, uma suavidade facial de europeu com uma sedução à flor da pele própria dos africanos.

 

    A parcela de população indígena é reduzida. Uma miscigenação mais localizada. Norte e Centro-Oeste do Brasil. Uma vez que os indígenas restantes estão isolados em reservas. (Fora os paulistas com seus 400 anos de miscigenação.)

 

    Mas uma “democracia racial” onde os negros (ou afro-descendentes) precisam de quotas para entrarem para as universidades? Onde afro-descendentes têm dificuldade de ascensão social e de atingirem cargos de chefia? Onde os negros se congregam mais em neo-pentecostalismos do que aceitos nos tradicionais círculos católicos? Onde as religiões afro são atacadas como “demonismo” por pastores-demagogos que se dizem enviados do Senhor branco e europeu? (Se a coisa vem dos negros, só pode ser do Demônio, pensam esses líderes religiosos...)

 

    Uma “democracia racial” é coisa bem diversa. O Brasil é ainda uma espécie de África do Sul, com requintes de hipocrisia.

 

    Mas a cor da pele não é problema, ouvimos. Existem negros bem trajados tomando champanhe ali no hotel defronte. Existe um branco catando latinhas de refri ali nas sarjetas. Uma mulata é a dona daquela loja de modas. Cor da pele não é critério. Mas classe social é sim.

 

    As favelas são as senzalas de hoje. A Abolição, tão comemorada em 1888, não resolveu o problema da exclusão social, uma vez que libertou os escravos, mas sem prover as condições de subsistência dos mesmos. Os escravos tornaram-se serviçais, ou vieram para as cidades, onde tornaram-se mão-de-obra barata.

 

    Sem condições de ascensão social, muitos jovens afro-descendentes caem no sub-emprego (lavar carros e vidraças, vigiar carros, vender balas nos sinais de trânsito) e na ilegalidade (contrabando, pirataria, narcotráfico), o que pesa sobre a imagem dos negros, como se todo negro fosse marginal e perigo imediato.

 

    Presenciamos cenas assim: um negro entra numa loja e dois seguranças o cercam – não muito discretamente – mas o negro somente quer comprar um produto! Mas negro é sinal de crime, pensam os seguranças (muitas vezes são negros!) culpa dos seguranças? Culpa dos negros? Não, um problema estrutural que tão cedo não será resolvido. O negro não recebeu ajuda no processo de sua emancipação.

 

    Não que o negro precise de ‘ajuda’. Os afro-descendentes são vítimas por herança de uma violência sem tamanho quando seus avôs e pais foram seqüestrados na África e desembarcados para uma escravidão de dois séculos (oficialmente) no Brasil, onde os índios são preguiçosos e os brancos, orgulhosos.

 

    “Ajuda” aos negros seria reservar vagas nas universidades? Assentos especiais nos coletivos? Medalha por ser vítima social por excelência? Não se resolvem os problemas assim numa Democracia. Oportunidades iguais para todos – não importa se o cidadão é branco, negro, pardo, mulato, vermelho, amarelo. Não importa. O cidadão tem deveres? Então ele tem seus direitos! Está nos direitos civis? Está na Constituição! Não é ‘favor’, não é ‘caridade’, é direito constitucional.

 

    Sem essa condição de oportunidades iguais, a criminalidade continuará mostrando uma face racial, como mostram as estatísticas do perfil da “comunidade encarcerada’, os presidiários que são mais vítimas do que réus num sistema que não oferece oportunidades de ascensão social para os de baixa renda, principalmente se tratando de afro-descendentes (ou mesmo, pardos, mulatos).

 

    É bonito falar em “justiça social”, mas é hipocrisia criminosa diante do quadro excludente que todos nós conhecemos (“o verdadeiro cego é aquele que não quer ver”) onde somente resta aos afro-descedentes o caminho das contravenções e “vida bandida” já muito romanceada (desde a figura dos malandros da Lapa até os atuais “Cidade de Deus” e “Cabeça de Porco”, sucessos de venda, com as imagens da miséria entregue à domicílio como as reportagens de um “Aqui e Agora”, ou das cópias piratas de um “Tropa de Elite”)

 

    A mídia comprou o ‘racismo’ para obscurecer a ‘luta de classes’. Que negro rico é sempre bem-vindo. Que branco descalço é logo expulso da loja! Cor da pele é secundário, o que importa é o recheio da carteira do cidadão. (Sou branco-pardo (50% lusitano, 25% índio e 25% negro) e já fui esnobado numa loja, quando um negro 100% recebeu maior atenção, uma vez que gastava o dobro do que eu pretendia. O negro, nem mais bonito nem mais simpático, apenas tirou o talão de cheques do bolso e apontou produtos. O racismo no Brasil é econômico!)

 

 

 

   Racismo econômico no Brasil

 

 

    Um parágrafo basta. Branco sem dinheiro vale menos que negro. Negro com dinheiro vale igual ao príncipe da Suécia. O que importa é ainda o poder econômico. Uma donzela branca (rica ou pobre) vai preferir casar com um negro rico (ou ‘remediado’) do que com um branco pobre. Que dane-se a ‘raça’, desde que tenha “conforto material”. Miscigenação? O povo nem pensa nisso. Ainda que de uma branca e um negro, ou de um branco e uma negra, venham a nascer mulatos, que precisarão de quotas para entrarem na faculdade.

 

 

Dez/07

 

 

Por Leonardo de Magalhaens

       

 

 



Escrito por leonardo de magalhaens às 20h02
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Democracia e Racismo (ensaio)

 

 

DEMOCRACIA  E  RACISMO

 

    O conceito de “Raça” já é ultrapassado. O de Civilização ainda faz sentido. Há um conflito de Civilizações. O Ocidente contra o Oriente, os povos desenvolvidos e os povos subdesenvolvidos. As pluralidades e os monoteísmos. A miscigenação na assimilação ou a formação de guetos étnicos e culturais.

 

    Um dos desafios da Democracia é o de “administrar” a pluralidade. E a diferença que chama mais a atenção – até porque é visual – é o corpo. A diferença da cor da pele, do tipo de cabelo. Para um negro, um branco não é só braço, é “estrangeiro”, e para o branco, o negro não é só negro, é o “estrangeiro”. Mesmo quando vivem no mesmo país, na mesma cidade.

 

    A diferença de pele ocasiona preconceitos que foram politizados desde o “colonialismo”. Os brancos europeus invadiram as terras dos negros e dominaram em nome da Civilização Ocidental. Agora, são os negros que invadem – pacificamente, sorrateiramente – o mundos dos brancos, com suas famílias e sua mão-de-obra barata. (Vide Miami, vide os subúrbios de Paris, vide os muçulmanos na Europa.)

 

    Os brancos são minoria (talvez até em extinção). Gobineau sabia e Hitler também. Tanto sabia que para cada alemão morto, ele cobrou um morto de outra etnia (só o Holocausto [Shoal] ceifou dez milhões!) Então, o argumento racista: os povos do Terceiro Mundo podem ‘derrubar’ os desenvolvidos. Como? Pela miscigenação.

 

    Outro argumento: não é racismo, é sobrevivência da civilização. A Civilização herdada dos gregos e dos romanos, que já foi muito agredida pelos bárbaros e árabes. A civilização européia que colonizou o mundo e distribuiu seus valores de comércio e livre-iniciativa.

 

    Caso contrário, o mundo asiático, africano, ambos “dionisíacos” haverá de engolir o mundo cristão, do tipo “apolíneo”. Segundo argumentos que derivam das distinções de Nietzsche, a partir do estudo da tragédia grega. Racismo ou Choque de Civilizações – eis o problema. Mais do que cor de pele é o espírito de ‘ordem’ ou o de ‘folia’, o apolíneo ou o dionisíaco.

 

    Existem os negros de “espírito branco”: ouvem música clássica, lêem os clássicos europeus, desejam ascensão social e econômica, uma sonhada emigração para a Europa. Existem os brancos de “espírito negro”: ouvem pagode, funk carioca, jazz, se julgam “black power”, adoram festas, ritmos caribenhos, e sonham em viajar para a Jamaica, terra do reggae. A cor da pele, assim, nada determina.

 

 

    Então, os argumentos de padrões apolíneos-dionisíacos, proposto por Nietzsche, explica um pouco mais. Ainda que Jung, o analista, preferisse descrever os padrões de caráter como Introvertido e Extrovertido. Assim a Civilização é além da cor da pele – é um fenômeno de ‘projeção espiritual’, no sentido de caráter psíquico projetado coletivamente.

 

 

    Claro que em contexto europeu, com essas problemáticas das imigrações, os argelinos nos subúrbios de Paris, os turcos em Berlim, os albaneses rumo a Itália, os povos da Comunidade Britânica [Commonwealth] nas ruas de Londres. O conflito contra os terrorismo árabe, o barril de pólvora dos Bálcãs, o barril de petróleo do Oriente Médio.

 

    A Democracia se apresenta como uma forma de negociar as diferenças, de convivência e coexistência. Mas e quando entram valores de civilização? Como negociar o uso de véus nas escolas? Como negociar a presença de ícones religiosos em charges de jornal? De que modo agradar a religiosos e não-religiosos, brancos e negros, ao mesmo tempo?

 

    As conquistas do Ocidente desde a Revolução Francesa e a guilhotina foram na ordem de separar os âmbitos de Igreja e de Estado, para garantir independência de expressão laica e educação não-religiosa, além de garantir os direitos de livre expressão. Não apenas religiosos teriam acesso à cultura letrada – mas todos os cidadãos. Para assegurar assim a legitimidade da “representatividade”, quando os cidadãos escolheriam – por eleições livres – os governantes. Um povo sem expressão não seria “soberano”.

 

    Se os povos que mantêm suas tradições religiosas – sejam brancos ou negros, ruivos ou amarelos – não compartilharem dessas conquistas liberais não poderão se unir na construção da Democracia. Serão assimilados pelo Mercado (muitas vezes como mão-de-obra barata), mas continuarão em guetos culturais (e políticos). Para um árabe se tornar francês não basta falar francês e estudar na faculdade francesa, mas conhecer a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, conhecer os direitos e deveres numa sociedade laica. Deverá, portanto, distanciar-se de sua religião.

 

    É apenas um aspecto. “Democracia e Religião” cuidará melhor do tema. O esforço aqui é superar o “racismo” e entender a ameaça à Democracia (européia, principalmente) como um problema de civilização. O totalitarismo teocrático islâmico em choque com a civilização liberal ocidental. Não é um problema de cor de pele. A menos que se leve à sério os movimentos neonazistas.

 

 (continua...)

 

Leonardo de Magalhaens

 

 



Escrito por leonardo de magalhaens às 20h01
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