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Blog de leomagalhaens
 


DEMOCRACIA E MÍDIA

 

(continuação)

 

 

O financiamento dos programas e do “horário nobre” é outra preocupação para quem observa a sociedade democrática. As grandes empresas se apoderam de faixas de horários das programações televisivas tal como se apoderam das campanhas de candidatos maleáveis. O que já confere ‘visibilidade’ atrai dinheiro, a novidade é menosprezada. Como se rompe o “círculo vicioso”? Não se rompe! Os alternativos buscam espaços alternativos. Horários menos visados, são jogados às margens da programação. Se não recebem patrocínio, saem do ar. O culto à mesmice mostra o quanto a sociedade democrática se encontra refém dos grupos econômicos. Indústrias de bebidas e automóveis são constantes em financiar os programas de grande apelo de massa e sem maiores discussões quanto aos seus conteúdos. É o que um marxista chamaria de “alienação”, mas chamamos de “inércia social”.

 

    Como as programações se repetem e os atores não mudam, a população se acomoda. Não exige o diferente, até porque o mesmo dá sempre lucro. Não querem alternativos, querem as apelações descerebradas de sempre. “Inércia social” é o processo de repetição de padrões sem qualquer análise ou julgamento por parte dos ouvintes/espectadores. Muitos são informados, mas se entregam ao que já é consumido pela maioria. Não é “alienação’ – uma vez que a informação nunca foi dantes tão divulgada – mas de “acomodação mental”, que é um câncer da democracia: a ‘ditadura da maioria’, a mediocracia, a mediocridade.

 

    Mas para curar essa chaga democrática é preciso a edificação de um ser ‘ideal’: o Cidadão. O que é o cidadão? Um ser capaz de conservar sua independência pessoal e ideológica diante de uma multidão. Um ser que saiba responder por seus atos e tenha responsabilidades por suas ações numa ampla gama de direitos e deveres. Não é um ser “livre” (“só há liberdade quando todos são livres”, uma das verdades do pensador anarquista Bakhunin), mas um ser “menos preso” por preconceitos e atitudes irracionais. Quando se vive em grupo deve-se obedecer regras – desde que se aceite essas regras. Toda imposição é ditadura e fascismo.

 

    Para aceitar essas regras, o cidadão deve acompanhar a criação e aprovação das mesmas. Deve conhecer os representantes que criam as regras (chamadas de “leis”) e entender os trâmites legais que possibilitam a estrutura social. Sempre há os que legislam, e os que obedecem. Contudo a obediência não é cegueira e submissão. É aceitação de um “limite” em nome do bem-estar social.

 

    O cidadão não deve ficar refém das leis, pois as leis são criadas para o bem-estar do cidadão. Qualquer inversão dessa dinâmica representa ataque à funcionalidade democrática.

 

    Nesse raciocínio, o controle popular dos meios de divulgação de informações se apresenta essencial para o exercício democrático da vida política. O cidadão deve ter conhecimento de quais são as fontes das notícias e poder checar a veracidade das mesmas, além de julgar o contexto que gerou o acontecimento e evitar que as interpretações sejam usadas para interesses de um ou outro grupo, que se colocam acima do bem-estar geral.

 

    Quando o cidadão lava as mãos e se proclama alheio e indiferente, aí sim se processa o fenômeno d “alienação” – o cidadão perde a sintonia com o mundo real, entra em “espírito estrangeiro”, vive dissociado de seu meio social. Assim uma presa fácil para os grupos noticiosos e mercenários da mídia que não hesitam em publicar mentiras como se fossem verdades absolutas – em tática bem ‘hitlerista’. Quando muitos não sabem se impor, com argumentos, surge um sujeito confiante em si mesmo e se anima a manipular os demais.

 

 

    O crime dos intelectuais. Que sabem e se calam. Enquanto os “Hitlers” abrem suas bocarras e proclamam suas “verdades” transcendentais nos púlpitos da mídia! Goebbels reconhecia isso, ao encontrar-se com o futuro ditador: “Este homem (Hitler) é perigoso – ele acredita no que diz!” Enquanto os intelectuais se perdem em metafísicas inúteis, os demagogos sobem ao púlpito e arrebatam multidões de alienados e fantasistas.

 

    E depois a culpa é da Democracia? Certamente que não. Uma vez edificado o cidadão este saberá “separar o joio do trigo” e não “comprará gato por lebre”. Mas como formar o cidadão? Uma reforma do Ensino, no sistema educacional. A começar pelo profissional Professor, que precisa entender sua importância e lutar por melhores condições de trabalho. E deixar de fingir que ensina, enquanto os alunos fingem que aprendem.

 

    Sem um cidadão crítico e autônomo (e não autômato-robô!) é que a Democracia prosseguirá na construção do bem-estar (e não felicidade!) social e de moderação das diferenças (intrínsecas ao viver humano) no sentido de uma menos hipócrita ‘paz social’.

 

 

Dez/07

 

 

Por

Leonardo de Magalhaens

 

 



Escrito por leonardo de magalhaens às 18h24
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DEMOCRACIA E MÍDIA

 

                                                                                             Agradecimentos ao publicitário Carlos Gonçalves

 

    O direito à informação e a livre expressão são assegurados pelas sociedades democráticas, no sentido de oferecer notícias à população, para que esta possa melhor decidir as ações e decisões que constroem o bem-estar social.

 

    Um povo sem informação ou submetido à informações adulteradas e/ou ocultadas não terá condições de julgar seus representantes e governantes e, cegos ao processo de decisão, será facilmente iludidos e manipulados.

 

    A democratização das Mídias tem sido uma das questões fundamentais nas sociedades ocidentais democráticas diante da concentração das mídias nas mãos de grupos econômicos. Passando por filmes clássicos, como é o “Citizen Kane” (Cidadão Kane), e por romances como “O Quarto Poder”, de J. Archer, o controle da informação é denunciado como um impedimento a real Democracia.

 

    Atualmente – e eu mesmo fiz o ‘teste’ entre 2000 e 2002 – pode-se ler vários jornais – e eu lia 5 jornais diariamente! – e não se satisfazer como cidadão informado. As notícias se mostram parciais, desconexas, fora de contexto, com enfoques vários, contraditórias. Somente a leitura atenta e comparada, com as tentativas de ‘denominadores comuns’ e ‘interseções’ é que se pode formular um verdadeiro acontecimento (no sentido francês de “événement”). A notícia é apenas uma ‘interpretação’. Cada jornalista tem o seu “filtro”, segue ordens e padrões, de seus editores e patrões. A linha política dos diretores e associados tem muito influenciado as abordagens.

 

    Segmentadas, as notícias perdem o contexto, perdem o foco, ou ganha focos variados, dependendo da publicação/meio de comunicação. Um jornal tradicional apresentará um fato totalmente diferente de um folheto proletário. Uma revista de moda usará expressões não encontradas em um jornal econômico. Assim, cada grupo se apropria de ângulos do fato e noticia o que bem quer.

 

    E quem tem tempo para ler jornais? Alguns lêem folhetins e se julgam informados! Outros acompanham o jornal global das oito horas e se julgam satisfeitos! (Eu lia 5 jornais – Estado de Minas, O Globo, Folha de São Paulo, O Tempo e a Gazeta Mercantil – e não me sentia informado! Enquanto o cidadão comum lê o “Super” ou o “Aqui” e se diz contente com semelhante “esclarecimento”!) Assim, por que uns mais “informados” que outros? Depende do nível educacional do leitor.

 

    A Educação enquanto forma de interpretar o mundo. Saber ler e escrever – sobretudo pra usar no cotidiano. Para decifrar os jornais e para contra-argumentar quando a realidade é disfocada e deturpada. Mas temos hoje cidadãos que são alfabetizados, mas são “analfabetos funcionais”, não sabem ler e escrever como exige uma “sociedade da informação”.

 

    Pois atualmente não faltam informações – há toda uma indústria cultural para cria-la e divulga-la – mas um ‘excesso de informações’. Jornais, folhetins, revistas, suplementos, edições especiais, jornal televisivo, rádio, Internet (uma pluralidade de serviços e links!), e o cidadão não está educado para absorver e peneirar esse volume de dados e informes.

 

    Daí a simplificação que os meios de comunicação promovem. Dar sempre o mesmo e o mais “mastigado” possível. A criação de notícias ‘saídas do forno’, a imposição de jingles e músicas invariáveis, a publicidade onipresente, nos out-doors, cartazes, faixas, carros de som, sites da Internet, homepages, blogs, orkut, etc. Para todo lado os apelos do consumo. A propaganda precisa ser direta e sedutora. Vender mais que um produto – vender uma promessa de felicidade e realização pessoal e/ou coletiva.

 

 

    A expressão “indústria cultural” é usada por T. Adorno em seu “Dialética do Esclarecimento” (em co-autoria com M. Horkheimer) ao notar as padronizações e financiamentos da rádio de Nova York onde o pensador alemão trabalhou na década de 40, o fugir do Nazismo. Adorno notou que a propaganda tinha algo de “totalitária” como se percebia nos regimes fascistas e bolchevista. Que Goebbels dizia abertamente: “Uma mentira muito repetida torna-se verdade”, quando exibia seus métodos. A Alemanha perdia a guerra, mas a propaganda ganhava!

 

    Uma propaganda que nada devia o cinismo de um Hitler, que dizia “Toda propaganda tem que ser popular e acomodar-se à compreensão do menos inteligente dentre aqueles que se pretende atingir.” E também: “As grandes massas cairão mais facilmente numa grande mentira do que numa mentirinha.” Ou seja, a propaganda se encarrega de criar suas ‘verdades’!

 

    De modo mais sutil a mídia nas sociedades democráticas age com padrões que muito se assemelha aos fascistas. A padronização das rádios, com músicas pré-programadas e pré-pagas, por gravadoras e artistas, com uma suposta participação dos ouvintes, as que se mostra encaixada nos moldes do já existente. O dito “jabá” que monta a programação das rádios, com as mesmas músicas dos mesmos artistas, sem alternativas – a não ser que surjam novos grupos já “formatados” e agora financiados.

 

 

    Assim a mudança vem de “cima para baixo” – não por escolha do cidadão. O gosto musical é assim imposto – alternam-se bandas e estilos de acordo com a indústria cultural. Que fenômeno musical é o atual? Se é X, então se vende os produtos e estilos voltados para aquele grupo consumidor da música X; se amanhã é um Y, usa-se o mesmo processo de marketing – criando segmentações e verdadeiras tribos de culturas variadas, geralmente formadas por adolescentes facilmente influenciáveis. Temos assim os roqueiros, os skatistas, os punks, os metaleiros, os góticos, os funkeiros, os emo, os new-metal, os rastafaris, os clubbers, etc, uma variabilidade multicultural é assunto de pluralismos outros, mas que no final das contas serve aos imperativos da industria cultural’, ao vender seus produtos, e acaba por despolitizar e dispersar os jovens, que se perdem e rixas devido a gostos musicais e de vestimentas!

 

 

(continua)

 

 



Escrito por leonardo de magalhaens às 18h23
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