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Blog de leomagalhaens
 


Os Fascismos - Conclusão

OS FASCISMOS

 

 

CONCLUSÃO

 

Se morreu a serpente, não acontece o mesmo com o veneno. Se os fascismos foram derrotados na longa 'guerra de material' que foi a Segunda Guerra Mundial (onde as ditas 'democracias' não venceram por serem 'democracias' mas por possuirem os maiores parques industriais do mundo) não significa que os ideais fascistas foram sepultados.

 

Ou antes, se sepultados logo germinaram sementes de intolerância e autoritarismo. Na busca da manutenção do sistema capitalista excludente, dos latinfundiários, dos mega-empresários, das transnacionais, estão aí os fascistas de plantão porntos para apoiarem os centristas temerosos e darem o 'golpe dentro do golpe', como fez Mussolini e Hitler, humilhando os próprios burgueses conservadores que permitiram a ascensão política dos direitistas.

 

É a necessidade de segurança que leva a massa popular a abrir de sua liberdade relativa (sempre tutelada e vigiada!) para conseguir um regime que defenda seus filhos e bens das garras dos comunistas, dos revolucionários. A segurança - e as forças de segurança, estatais e paramilitares - são ampliadas com o uso extensivo de câmeras de vídeo, através das quais todos são constantemente monitorados, vigiados, mantidos na 'linha', como todo governo autoritário sempre desejou.

 

Os fascistas não foram sepultados (e muito menos desacreditados), estão entre nós, nos controles sutis sobre a expressão e a divulgação das informações, restringindo os acessos e pesquisas, ocultando (e queimando) os arquivos das ditaduras. Aqueles que trabalham para o ocultamento de infomações, no sentido de manter a população alienada quanto aos bastidores do jogo político - ao qual o cidadão comum só toma conhecimento quando é obrigado a votar num nome já previamente escolhido.

 

A Democracia não é votação, eleição, apenas, mas uma intensa participação popular, uma atuação da vontade coletiva, num interesse perena quanto aos processos e tramites políticos. E a Democracia enquanto jogo de cartas marcadas só consegue atrair desilusão e desconfiança. O povo passa a associar polítca com politicagem, democracia com políticos corruptos (como se nas ditaduras não houvesse corrupção! Uma vez que a divulgação dos crimes de corrupção é restrita e os corruptos nunca punidos)

 

O fascista de hoje vem com uma bela máscara de democrata (como se político democrata não fosse pleonasmo!), como se justificado pela política de massa (e de mídia!), com apoio dos tecnocratas e do aparato de segurança, a aproveitar da alienação e indiferença dos 'analfabetos políticos'.

 

Leonardo de Magalhaens

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Escrito por leonardo de magalhaens às 11h39
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Os Fascismos - Polônia / Grécia

 

 

A Polônia autoritária

 

 

    Depois da I Guerra Mundial, a Polônia se esforça por ser um Estado independente. Precisa enfrentar os exércitos russos em 1920, e aprovar a nova Constituição (1921), mas o movimento anti-russo torna-se anti-bolchevista (anticomunista) e o centro e direita são os vitoriosos.

 

    Quando a esquerda tem a chance de chegar ao poder e implantar as leis agrárias, precisa enfrentar os gabinetes de centro-direita e depois as greves. O enfraquecimento econômico leva ao golpe militar de maio 1926, quando o general Pilsudski (o mesmo que venceu os russos-soviéticos em Varsóvia) proclama o 'saneamento' do Estado, com expurgos e exonerações. Depois a luta é interna, quando os coronéis querem um governo  mais firme, ou seja, a ditadura pura e simplesmente. Os parlamentaristas são eliminados ou exilados. Ocorre o mesmo 'processo' que na Alemanha, onde o centro se alia a direita contra a esquerda, apenas para depois a direita eliminar o centro. (Vargas, no Brasil, logo percebeu o 'jogo', e depois do apoio da direita (integralista), contra os comunistas, providenciou o afastamento dos integralistas)

 

A 'ditadura dos coronéis', o ministério do general Skladkowski-Slawoj, dominado pelo marechal Rydz-Smigly, que ordena a ocupação da Silésia em Teschen (outubro 1938), em plena crise de Munique, enquanto os britânicos e franceses tentavam 'apaziguar' as ambições do líder nazista, Adolf Hitler.

 

O poder dos militares cria um atrito com as 'democracias' ocidentais, a ponto dos poloneses assinarem acordos com os russos (1932) e os alemães (1934), e daí nem Hitler nem Stálin levar os poloneses a sério - pois que apoio os ocidentais poderiam prestar? (Hitler nunca acreditou realmente que as potências ocidentais fossem entrar em guerra por causa da ditadura polonesa, a 'ditadura dos coronéis'. Não percebeu a tempo que o desejo dos ocidentais era manter o frágil 'equilíbrio europeu'. Ou seja, não permitir uma potência na Europa.)

 

 

 

A Grécia Dividida

 

Na Grécia, após a restauração monárquica, o rei Georg II (de origem alemã), em agosto 1936, dissolveu o Parlamento e entregou o governo a um ditador fascista, o General Metaxas. O mesmo que acontecia na Itália, na Espanha, na Hungria, onde regimes autoritários substituiam as 'falidas democracias'. O general passa a mandar sem mediações de 1938 até 1941, com um governo militarista e em desprezo total quanto a constituição.

 

Contudo, o rei Georg II resistiu a invasão nazista de 1941, até quase ser morto na Ilha de Creta. Foge para o Cairo, e assim seu governo foi reconhecido pela Grã-Bretanha. Enquanto os colaboracionistas passam a reprimir os comunistas, e o governo a abandonar o pró-nazismo e se aliar com os anglo-americanos depois da agressão italiana e a invasão nazista.

 

Os gregos se unem para resistência comum contra os nazistas, até a retirada dos invasores em fins de 1944. Mas a Grécia estava dividida entre monarquistas e republicanos (liderados por Venizelos), entre democratas e comunistas, que após a derrota dos nazistas, de forma política e depois declarada guerra civil, passaram a lutar entre si. Republicanos e monarquistas, em trégua, se unem contra os comunistas. No final, os monarquistas conseguem a volta do rei Georg II, que reina até 1947. Depois há o recomeço da guerra civil.

 

por Leonardo de Magalhaens

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Escrito por leonardo de magalhaens às 11h48
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O Fascismo na Espanha

O General Franco na Espanha

 

 

    Os monarquistas espanhóis viviam atemorizados pela ameaça interna republicana e os conflitos nas colônias africasnas (principalmente o Marrocos) quando apoiaram o general Primo de Rivera, num golpe de estado em setembro de 1923. Depois disso não tiveram mais sossego. A instabilidade política era o cotidfiano do reinado de Afonso XIII. Somente a política autoritária e estatista de Rivera conseguiu 'apaziguar' os marroquinos e 'apascentar' os republicanos (além de conter o separatismo das províncias, principalmente a dos bascos e dos catalãos)

 

    Mas a depressão pós-1929 enfraqueceu Rivera e o rei assumiu a ordem constitucional. Por pouco tempo, pois os democratas e republicanos venceram as eleições de 1931 e o rei viu-se obrigado ao exílio. Os socialistas também venceram em muitas cidades, conseguindo apoio para as reformas sociais. Também por pouco tempo. Logo os direititas e monarquistas voltaram em 1933 e desfizeram tudo. Até que se enfraqueceram, e as esquerdas poderam voltar ao jogo político, quando venceram novamente em 1936.

 

    Nessas oscilações o povo não passava de platéia (e cobaia). Até 1936! Então resolveram que assegurar a república era melhor do que se perder em partidarismos (que somente favoreciam os reacionários!) e uma frente nacional (Frente Popular) de republicanos e socialistas se estabilizou. Implantaram a autonomia e a reforma agrária. Mas foi novamente por pouco tempo. Um golpe militar ousado pelas tropas africanas, lideradas pelos falangistas, os fascistas locais, sob liderança do general Francisco Franco, com apoio dos fascistas italianos e nazistas alemães, conseguiuo avanço sobre o território espanhol, massacrando a população e a República (sem apoio das 'democracias', mas com ajuda de voluntários em 'milícias populares'), até a vitória sangrenta em 1939.

 

Mais sobre a Guerra Civil Espanhola em http://1936-1939.blogspot.com/ , http://www.unificado.com.br/calendario/10/franco.htm e http://www.luftwaffe39-45.historia.nom.br/historia/origens.htm

 

    Depois da sangrar o país com a guerra civil, o general Franco resolveu manter uma neutralidade e não apoiou o Eixo (exceto na pequena participação espanhola - a Divisão Azul - na frente oriental, na região de Leningrado), exceto quando se tratava de uma 'cruza anticomunista'. Mas, Franco não permitiu o ataque a Gibraltar, nem bloqueou os anglo-americanos no Mediterrâneo, como era o desejo dos nazistas.

 

 

Mais sobre a Espanha 'neutra'  na II Guerra Mundial vejam os links http://www.2guerra.com.br/sgm/index.php?option=com_content&task=view&id=252&Itemid=29 e http://www.2guerra.com.br/sgm/index.php?option=com_content&task=view&id=454&Itemid=29

 

Leonardo de Magalhaens

 

 



Escrito por leonardo de magalhaens às 10h16
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O Estado Novo de Vargas (continuação)

continuando...

     Um terceiro aspecto que ressaltamos: o militarismo anti-comunista. O velho espírito de "lembrai-vos de 1935", quando os comunistas tentaram um golpe sem sucesso. Só conseguiram ganhar a antipatia das forças conservadoras. O exército profundamente anti-comunista (até do que exatamente pró-fascista) passa a ser explicitamente o 'fiador' da base do poder estatal, árbitro do jogo político. É assim quando da aproximação Brasil-Estados Unidos, é assim com a destituição de Vargas.

 

    Interessante estudo é "O Estado Novo: Estrutura de Poder / Relações de Classe", ensaio de Eli Diniz, em "História Geral da Civilização Brasileira" (direção de Boris Fausto), no tomo III - O Brasil Republicano 3o vol. - Sociedade e Política (1930-1964), 3a ed. RJ: Bertrand Brasil, 2004.

 

    O fim do Estado Novo se deve mais a fatores externos do que internos. A neutralidade inicial de Vargas caiu após as negociações com os norte-americanos e então a frota brasileira passou a sofrer ataques do Eixo. Aliando-se as ditas 'democracias', Vargas não poderia sustentar por muito tempo um regime fechado, não-democrático. Os pró-fascistas foram afastados e os pró-aliados passaram a lutar dentro e fora, o que implodiu o arremedo de 'fascismo' nacional. Escreveu Boris Fausto, "Os problemas do regime resultaram mais da inserção do Brasil no quadro das relações internacionais do que das condições políticas internas do país. Essa inserção impulsionou as posições e abriu caminho a divergências no interior do governo." (História do Brasil, 1995)

 

O Integralismo no Brasil

 

    As semelhanças são consideráveis, mas as diferenças se ressaltam mais. Por ser mais próximo ao modelo italiano, o Integralismo no Brasil, abertamente fascistas, corporativista, centralista, discordava do excessivo 'culto a personalidade' no nazismo, com a idolatria a figura de Hitler, além da "falta de bases cristãs", segundo o ideólogo Plínio Salgado, no excessivo paganismo do misticismo nazista - o culto aos Nibelungos, por exemplo.

 

    O programa de Plínio Salgado era tradicionalista, cristão e corporativista, enquanto o de Hitler era revolucionário, pagão, de capitalismo e sindicalismo atrelados ao Estado, além do racismo e o culto à infalibilidade do Führer. O lema dos integralistas era claro, "Deus, Pátria e Família", ou seja, a manutenção da religião tradicional, a exaltação do nacionalismo (dito 'patriotismo') e a tradição patriarcal (dizendo ser a 'família a célula básica da sociedade', e a decadência da família tradicional seria a decadência da sociedade)

 

    No mais, o nacionalismo brasileiro choca-se com o nacionalismo alemão. As comunidades germanicas no sul do Brasil (Santa Catarina e Rio Grande do Sul) passariam a sofrer um maior processo de integração, com o ensino obrigatório da língua portuguesa, por exemplo, o que causava certo desconforto diplomático, uma vez que haviam muitos alemães nacionais entre os teuto-brasileiros, nascidos aqui.

 

    Além do que, num país de miscigenados, a propaganda do Racismo não faz sentido.

 

    No contexto político, foi a ascensão do Autoritarismo que sufocou os Integralistas, segundo Boris Fausto, "Havia traços comuns entre a corrente autoritária e o integralismo totalitário, mas ele não eram idênticos. O integralismo pretendia alcançar seus objetivos através de um partido que mobilizaria as massas descontentes e tomaria de assalto o Estado. A corrente autoritária não apostava no partido e sim, no Estado; não acreditava na mobilização em grande escala da sociedade, mas na clarividência de alguns homens. Para ela, no limite, um partido fascista levaria à crise do Estado; o estatismo autoritário, ao contrário, conduziria ao seu reforço." (História do Brasil, 1995)

Leonardo de Magalhaens

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Escrito por leonardo de magalhaens às 10h28
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O ESTADO NOVO de Vargas

O Estado Novo de Vargas

 

    Um resumo do Estado Novo de Getúlio Vargas instituído em 1934 (e que durou até o fim da guerra mundial em 1945) sempre leva em consideração o Centralismo e o Trabalhismo.

 

    Primeiro, o Centralismo. O fim do poderio das oligárquias regionais, a perda da autonomia dos Estados, com o fortalecimento do poder federal, quando o Presidente-ditador vem nomear os 'interventores' para cada Estado.

 

    Em segundo lugar, um Estado Nacional que atua amortecendo a luta entre patrões e empregados. Uma plena intervenção econômica que age numa forma de 'protecionismo', no planejamento econômico, na tutela dos sindicatos, na repressão aos movimentos operários, na legislação trabalhistas vinda de cima-para-baixo. 

 

    Sendo uma reação a falência do Liberalismo (tanto econômico quanto cultural) o Estado interventor vem com um 'corporativismo' autoritário junto ao sindicalismo atrelado (movido pelos dirigentes 'pelegos', amortecendo a luta-de-classes) O Estado e seu aparato burocrático vem impulsionar a industrialização, incentivando as mais diversas atividades econômicas, investindo em obras, em transportes, além de conciliar os interesses das oligrquias agrárias (por exemplo, na compra do café, e até queima de sacas, para regular o preço no mercado).

 

    A Constituição de 1937 tinha elementos da Constituição de 1934, e outros inspirados na Carta del Lavoro, a constituição fascista italiana), sendo de autoria do jurista Francisco Campos (o Chico Ciência), um exemplo de intelectual direitista, que depois foi mentor dos Atos Institucionais 1 (abril/1964) e 2 (outubro/1965)

 

   Sobre o trabalhismo sob a orquestração do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, sob direção de Lindolfo Collor, escreveu o historiador A Pedro Tota, "Este último ministério (do Trabalho) foi um dos mais importantes para a consolidação do Estado estabelecido em 1930, por ser uma das principais vias de legitimação da "nova ordem". A legitimação do Estado fez-se através de uma estrutura sindical atrelada a uma legislação trabalhista apresentada como doação, apesar de ter sido fruto das lutas e conquistas operárias." E também, "O mito da doação passou a ser um dos principais instrumentos de cooptação do operariado brasileiro, principalmente depois da instauração do Estado Novo.  As leis trabalhistas que começaram a ser implantadas tinham por objetivo controlar o passado combativo dos operários, calcado na herança anarco-sindicalista, e repreimir o movimento sindical." (TOTA, A P, "Estado Novo")

 

    Eis o trabalhismo: nada de mediadores entre o Estado e os trabalhadores. Dizia Vargas: "Hoje o governo não tem mais intermediários entre ele e o povo." Há assim uma legitimação 'populista' do Estado na personalização do poder na figura do Chefe de Estado, o "pai dos pobres', uma figura paternalista, de atração afetiva. Enquanto isso, o indivíduo, o proto-cidadão, é absorvido pelo Estado, por um conjunto de "regulamentações". Os sindicatos são tutelados e sob controle do Estado, com atividades recreativas e cívicas, além de assistenciais.

 

    "Antes da revolução de 30, a questão social era um caso de polícia, segundo a cegueira e a sinsensibilidade dos governos." Então Vargas veio para legitimar as reivindicações sociais dos trabalhadores. Pregar a 'cooperação entre as classes' "sem produzir perturbação na ordem política" com a atuação da "ampla legislação obreira" (Schwartzman)

 

    E também analisa Sodré, "Num esquema simplista, a ditadura instaurada por Vargas, em 1937, correspondia a uma tentativa de realizar a revolução burguesa sem o proletariado. (...) Mas se o fascismo italiano e o nazismo alemão correspondiam a uma etapa capitalista plenamente desenvolvida, o Estado Novo deveria corresponder a uma etapa capitalista inicial." (Formação Histórica do Brasil, p. 329) Uma verdadeira "revolução pelo alto" para reestruturar a economia, movida pelo 'dinamismo estatal' em setores para os quais faltavam coordenação. Para isso era necessário 'atrelar' os trabalhadores, 'apaziguar' os choques com os empregadores.

 

    Nada mais claro do que o Ministro do Trabalho Marcondes Filho, num programa de rádio da Hora do Brasil, em 1942, "o Estado, entre nós, exerce a função de juiz nas relações entre empregados e empregadores, porque corrige excessos, evita choques e distribui, equitativamente, vantagens"

continua...

Leonardo de Magalhaens



Escrito por leonardo de magalhaens às 10h30
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Os Pró-Fascismos - Portugal

OS PRÓ-FASCISMOS

 

 

O Estado Novo Português

 

Com o fim da monarquia, depois da 'revolução republicana' de 1910, quando soldados e marinheiros atuaram na derrocada do breve reinado de D. Manuel II, a frágil república lusitana viu-se às voltas com os problemas herdados do colonialismo, as animosidades com ingleses na África, e tentativas de reação monarquista. As dissensões internas minavam as ações a longo prazo, logo sabotadas pelos fidalgos e pelo clero. Em 1915, os Exército começou a ficar impaciente e passou a apoiar os monarquistas, até que os democratas novamente se firmaram. Nesse jogo de empurra - muito comum desde as revoluções inglesa e francesa - deixava uma lacuna para a ação dos autoritários, que se articulam mais à direita. Durante a I Guerra, os portugueses se mantiveram pró-britânicos, mas reforçando a defesa das colônias africanas. Lutaram contra os alemães e ganharam a colônia de Quionga, na África oriental.

 

No meio de toda essa turbulência, destacou-se um fiel conspirador contra o regime republicano, o professor Antônio de Oliveira Salazar. Expulso da faculdade, logo entrou para a política, sendo eleito deputado pelo Centro Católico Português, onde se destacou em 1922, no congresso dessa organização. Na ditadura militar que foi instaurada em 1926 foi chamado a assumir a pasta de Finanças, mas não ficou mais que uma semana no cargo. Quem se manteve foi o presidente, o general Antônio Oscar de Fragoso Carmona (até a morte, em abril de 1951) enquanto Salazar se articula nos bastidores, até fazer o ministério do seu jeito, em 1928.

 

O que queria Salazar? Nada mais que uma 'ditadura financeira', ou seja, um governo forte intervindo na economia. Incentivo a obras públicas, aumento da pressão fiscal, redução dos vencimentos, congelamento de salários. E a ação firme do ministro ganha a confiança dos militares. Assim, em breve, Salazar cuida da questão das colônias. Em 1930, é promulgado o Ato Colonial, onde o ministro todo-poderoso insiste em ver a não portuguesa como "potência colonial", o que significa o terror nas colônias! Apartir de 1933, a ditadura é institucionalizda, usando o recurso populista do 'plebiscito', com uma constituição claramente pró-fascista, regulando um 'sistema corporativo', ao integrar num mesmo organismo - e sob controle estatal - as associações operárias e patronais. Para garantir o monopólio político, os salazaristas instituem a proibição de partidos e a fundação da União Nacional Popular.

 

Usando o lema "Deus, Pátria, Família", Salazar estrutura seu regime 'democrata-cristão', claramente anti-liberal, anti-parlamentar e anti-comunista. "Um Estado pluricontinental e multirracial", ou seja, um Estado corporativo de um Império colonial. Começam a surgir os novos orgãos de repressão, o SNI e a PVDE (depois de 1945, a PIDE), respectivamente, o serviço de informações, a polícia de vigilância metropolitana e colonial. (Inspirados nos modelos da Gestapo e da OVRA) Todo uma arquitetura de poder que se manteve por 4 décadas tão somente porque Portugal não entrou na II Guerra (o mesmo caso de Espanha, e se a Itália se mantivesse neutra, o fascismo estava garantido?) Salazar foi entronizado como o presidente do Conselho de Ministros, enquanto Carmona era mantido como Presidente da república.

 

 

Mais sobre o SNI e a PVDE (e a PIDE) em http://pt.wikipedia.org/wiki/Secretariado_Nacional_de_Informa%C3%A7%C3%A3ohttp://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADcia_Internacional_e_de_Defesa_do_Estado 

 

 

Em 1940 é destaque a assinatura da Concordata com o Vaticano, quando Salazar negocia uma reparação, uma indenização a Santa Fé, devido as perseguições republicanas do período de 1910 a 1930, com as propriedades voltando ao poder do clero. É mantida a divisão Estado e Igreja, mas os privilégios para o clero são claramente ampliados. Assim, em paz com o Papa e com as potências em luta, os salazaristas proclamam seu "Orgulhosamente sós", uma política de isolamento, que conseguiu evitar a sedução do Eixo e a vingança dos Aliados (ainda que em 1943, os Aliados tenham recebido permissão para instalação de bases nos Açores)

 

 Leonardo de Magalhaens

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Escrito por leonardo de magalhaens às 10h06
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A Política Externa do Nazismo

A Política Externa do Nazismo

   Depois de subir ao poder na Alemanha, Herr Hitler passou a ocupar-se dos assuntos da política externa, começou a abalar o frágil equilíbrio europeu. Buscando uma aliança com a Itália fascista e diminuir as desconfianças das 'democracias' ocidentais (Grã-Bretanha e França), a política externa alemã visava recuperar a potência perdida na derrota da I Guerra Mundial. A hipocrisia da Conferência do Desarmamento, onde a Alemanha desarmada recebe apenas 'força moral', e a rivalidade entre Itália e Grã-Bretanha (quanto ao Mediterrâneo e o Norte da África) se mostra claramente, num sistema frágil de 'equilíbrio de forças'. Os ingleses conservadores assumem a hipocrisia da Conferência e engolem o realismo da reação de Hitler, retirando os alemães (a delegação de von Neurath) da Sociedade das Nações (SDN), assim expondo a quebra do 'sistema de paz' do Tratado de Versalhes (realmente o maior erro dos vencedores foi o de humilhar a Alemanha!)

 

Mais info em http://www.dw-world.de/dw/article/0,,654125,00.html

 

    Hitler então 'submete' sua decisão a um referendo popular (plebiscito), em novembro de 1933,  e é aprovado por 95% (quem seriam os restantes 5%??) Eis a consolidação pública do regime nazista. Depois disso Hitler proclama que a Alemanha só participará em 'nível de igualdade' diante das nações (principalmente as potências vencedoras) Hitler diz negociar a limitação de armamentos desde que o Reichwehr tivesse "o direito de ter um exército forte de 300 mil homens por meio do serviço militar obrigatório" e se aproveitou das discussões entre França e Grã-Bretanha.

 

    O próximo lance é o Pacto de não-agressão (por 10 anos) com a Polônia (que durou apenas 5 anos!), quando Hitler contrariou os chefes prussianos, mas acabou por afastar o Marechal Pitsudski da aliança com a França. E conseguiu uma imagem de 'apaziguador' (como outrora cultivava sua imagem de 'conservador' na República de Weimar). "Aliada da França, a Polônia contribuiu ao máximo para infundir nos alemães o complexo de estarem sitiados. A política exterior da república de Weimar, inclusive a de Stresemann, sempre se recusara com obstinação a assegurar as conquistas polonesas." (J. Fest, Hitler)

 

    Enquanto, na Alemanha a 'revolução de direita' continua. As províncias perdem suas autonomias, tudo vai sendo centralizado. As soberanias das Länder são dissolvidas e transferidas para o Reich, e o Reichsrat é fechado. O centralismo se arquiteta lado a lado com o culto a personalidade, o culto a autoridade, a hierarquia e liderança. O discurso de Hesse em 25 fevereiro 1934, "Adolf Hitler é a Alemanha. A Alemanha é Adolf Hitler. Quem presta juramento a Adolf Hitler, faz um juramento à Alemanha." Assim o culto a liderança de cada esfera ao âmbito nacional, num sistema de suserania-vassalagem bem medieval. Um Capo, Duce, Fuhrer, seres supremos e os vários 'líderes' subordinados, havendo o 'líder' da linha de produção que era subordinado ao 'líder' da indústria, que devia respeito ao 'líder' do Ministério da Produção, que se responsabilizava perante o 'líder nacional', o Fuhrer Hitler.

 

    Em 1934, Hitler estava entre os conservadores monarquistas (Hindenburg, Von Papen, Bloomberg) e as SA, os revolucionários anti-liberais, alguns até socialistas-estatistas, que queriam ser a única força armada no país (nessa época a SS - Schutzstaffel - era apenas uma tropa de elite dentro da SA), e que a Reichswehr seria absorvida pelas SA . Mas Hitler queria um regime pseudolegal que continuasse o lado mais conservador da república, tanto que preferiu fortalecer a Reichswehr (que tornou-se Wehrmacht, em 1935) e sacrificou os seus velhos aliados SA, a incluir o líder Röhm. Foi o expurgo hitlerista da "Noite dos Longos Punhais", em 30 junho 1934, onde os maiores responsáveis foram Goering, Himmler, Heydrich (do SD, Serviço de Segurança), Sepp Drietrich, mentores da expansão das SS.

 

Mais info em http://pt.wikipedia.org/wiki/Noite_das_facas_longas e também em

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,297910,00.html

 

    Por outro lado, haviam as Igrejas, pois se os católicos foram silenciados com os acordos com o Vaticano (vide a concordata com o Reich, possível pela atuação de Eugenio Pacelli, futuro Papa Pio XII)(mais detalhes na obra "O Papa de Hitler", de J Cornwell), os protestantes tinham um sistema igualmente 'nacional', o que gerava um conflito político-religioso pelas esferas de poder sobre as consciências dos cidadãos alemães.

 

Mais em http://es.wikipedia.org/wiki/Concordato_imperial (em espanhol)

 

    Essa disputa entre 'nacionalismos', o estatista e o religioso, se devia ao ideal totalitário do nazismo, como sinônimo de "Alemanha", uma fusão do Partido com o Estado, a edificação de uma Comunidade Popular (Volksgemeinschaft). A política do Nazismo era de 'limpeza', de 'purificação' de tudo o que não fosse 'alemão'. A destruição de tudo o que 'manchasse' o ideal de 'ser alemão'. Assim se explica a intolerância contra os 'degenerados', os internacionalistas (os socilaistas),os pacificistas, os homossexuais, todos aqueles que não se encaixavam no 'ideal' do Povo e da Raça, não dignos de existir. Daí, a segregação, e o inevitável extermínio. Judeus, socialistas, democratas, homossexuais, ciganos, todos condenados por critérios políticos e raciais, como não-cidadãos (ou alguns, como os mestiços, sendo cidadãos de segunda classe), excluídos do Povo Alemão e destinado a "solução final" (Endlösung), a "limpeza étnica" (ethnische Säuberung)

 

Mais detalhe em http://pt.wikipedia.org/wiki/Solu%C3%A7%C3%A3o_final

e também em http://es.wikipedia.org/wiki/Limpieza_%C3%A9tnica

 

    No mais, a política da mentira, o engodo diplomático, a propaganda maciça, vem a provar o quanto o nazismo era um mascaramento dos conflitos sociais, a violência institucionalizada, onde cada ação de Hitler tinha um propósito oculto. Assim, os Labour Services deviam ocupar os desempregados, mas também punir os criminosos e os presos políticos. As ligas juvenis (Hitler Jugend) objetivava a socialização e técnicas de ação global, numa estágio para a carreira militar, quando os jovens eram convocados para a Wehrmacht ou Waffen-SS.

 

    As inocentes Autobahnen (Motor roads) visavam integrar as várias regiões da Alemanha e reduzir o regionalismo, além de ocupar os desempregados. A popularização do automóvel (o famoso Volkswagen, 'carro do povo') no sentido de impulsionar a indústria de bens duráveis, mas também conquistar as massas com a ideia de progresso, de integração nacional através do transporte. Assim também a popularização do teatro e do cinema, divulgado como forma de disseminar a cultura entre o povo. Qual cultura? A visão nazista de mundo. A arte era usada como veículo (mero instrumento) de propaganda!

por Leonardo de Magalhaens

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Escrito por leonardo de magalhaens às 09h43
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Nazismo e a Comunidade Popular

Os Fascismos - O Nazismo

Nazismo e a Comunidade Popular (Volksgemeinschaft)

 

    O Nazismo vem reforçar a ideia de 'comunitarismo' (algo realmente 'socialista' não somente no nome), um Volksgemeinschaft, 'comunidade popular', a importância de se pertencer a um grupo, numa ação coletiva. "O nacional-socialismo sempre procurou satisfazer essa ânsia de dependência, de participação, por meio de uma multiplicidade de campos de ação social sempre renovados. Uma das ideias fundamentais de Hitler, recolhidas da experiência de uma juventude na qual ele próprio se viu pessoalmente 'abandonado', era que o homem reclamava esse 'pertença', seja de que natureza for." E "(Hitler) redescobria realmente esta vontade muito antiga: os homens sentem necessidade de se integrar nas estruturas ordenadas. Existe um prazer de preencher uma função e não deve causar surpresa que os homens aceitem com mais facilidade o sacrifício de sua própria personalidade que o do exercício de sua liberdade intelectual." (ambas as citações in J. Fest, Hitler)

 

    Procurando manter o proletariado submisso, os nazistas realizam um 'trabalhismo' visando conciliar os conflitos entre patrões e empregados, amortecendo a 'luta-de-classes', onde os sindicalistas eram neutralizados, e os proprietários continuavam donos e financistas, mas submetidos à vontade do Estado. "Nosso socialismo tem uma forma de agir muito mais profunda. Não modifica a ordem das coisas, não faz senão mudar as relações dos homens com o Estado... Que siginificado têm a partir de agora as expressões 'propriedades' e 'rendas'? por que teremos necessidade de socializar os bancos e as usinas? Nós socializamos os homens." (J. Fest, Hitler, p. 512)

 

    A 'conciliação' dos conflitos trabalhistas passava pela arregimentação da Frente Alemã de Trabalho (Deutsche Arbeitsfront), pela Força da Alegria (Kraft durch Freud), pela Beleza do Trabalho (Schönheit der Arbeit), onde havia a modernização das instalações industriais, a melhoria das condições de higiene, a administração do tempo depois do trabalho (na Itália havia o Dopolavoro), a possibilidade de trabalhadores se divertirem em viagens durante as férias.

 

Mais detalhes em http://en.wikipedia.org/wiki/Kraft_durch_Freude e também em

http://en.wikipedia.org/wiki/Beauty_of_Labour (ambos os links em inglês)

 

    A glorificação do trabalho, em métodos herdados do taylorismo e do fordismo, para amortecer a 'luta de classes' e disfarçar aos proletários a perda da liberdade e da decisão política. "A perda da liberdade e da autonomia social, a severa e permanente fiscalização, a participação nitidamente mais fraca no Produto Nacional Bruto, no entanto aumentado; tudo isso quase não permitiu que a classe operária se irritasse. Os lemas ideológicos por sua vez também se mostraram incapazes de conquistar tanto essa classe como a burguesia. Muito mais importante foi o sentimento, após anos traumatizantes de medo e de depressão, de ver restaurada uma certa segurança no setor social." (J. Fest, Hitler, p. 516)

 

Mais: "O socialismo do NSDAP permanecia evidentemente sem programa e só se definia na língua metafórica e conjuratória de uma consciência paracientífica: era 'o princípio de rendimento do oficial prussiano, do funcionário alemão incorruptível, o dique, a prefeitura, a catedral, o hospital de uma cidade livre do Reich, era tudo isso'; também era 'passagem da classe operária ao trabalhismo'; mas justamente a diversidade sincerade seu vocabulário é que o tornava popular. 'Um salário honesto para um trabalho honesto': isso dizia mais aos espíritos do que uma certeza de salvação." (J. Fest) Apelando para o anti-capitalismo, mas se aliando com os grandes empresários (principalmente das indústrias pesadas, as químicas e siderúrgicas, as de armamentos e munições), os nazistas faziam às claras um jogo populista e às escuras um jogo armamentista,  belicista.

 

continua...

Leonardo de Magalhaens



Escrito por leonardo de magalhaens às 10h24
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Nazismo - poder e conformidade

Nazismo no Poder: conformidade forçada (Gleichschaultung)

    Enquanto o hitlerismo fosse um movimento 'anti-comunista', dedicado a eliminar os 'esquerdistas' e os 'subversivos', tudo bem, pensavam os conservadores democratas, mas quando Hitler passou a rasgar cláusula após cláusula do Tratado de Versalhes, então a situação mudou: Herr Hitler queria era dominar o mundo! Ou seja, o imperialismo germanico ameaçava diretamente o imperialismo britânico - e também italiano e francês. Com o apoio de Mussolini, interessado na partilha do norte da África e dos Balcãs, Herr Hitler passou a arquitetar o que seria o "Eixo" contra as potências coloniais que não hesitavam em sufocar o potencial germânico.

 

    As intenções dos nazista ficaram claras desde o trágico Incêndio do Reichstag, quando a ditadura começou a tomar forma. Desde aquela noite de 27 de fevereiro de 1933, os comunistas sempre negram participação no atentado. Por outro lado, tudo assinalava uma provocação nazista, a culpar os comunistas. Ainda que estudos revelem que a ação foi de um agente isolado, sem ligação com partidos (é apontado o holandês Marinus Van der Lubbe). O fato é que o atentado precipitou a campanha nazista de repressão aos esquerdistas.

 

    Diz J. Fest, "Em Nuremberg, Goering reconheceu que as providâncias para as prisões e perseguições teriam sido tomadas de qualquer maneira, e que o incêndio do Reichstag só fizer precipitá-las." Uma das fontes de Fest é o ensaio "Der Reichstagsbrand", de Fritz Tobias. Trata também dos bastidores da Gestapo, gestada por ordem de Goering e atuação de Rudolf Diels. O incêndio pode muito bem ter pego os nazistas de surpresa, mas acabou por apressar os preparativos da brutal repressão que se seguiu (e foi atingindo comunistas, socialistas, sindicalistas, social-democratas, religiosos, e até os conservadores!), pois o poder nazista extinguiu o habeas corpus, incinerou a liberdade de imprensa e de reunião.

 

    Mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Inc%C3%AAndio_do_Reichstag e em seguida

http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/o_estopim_da_escalada_nazista_imprimir.html e em alemão : http://www.zlb.de/projekte/kulturbox-archiv/brand/schmaedeke1999-2-1.html

 

    Os conservadores então acordaram! Eis o que era a 'revolução de direita'! Sem força para uma revolução completa, a ascensão nazista foi uma 'conquista gradual', contaminando todos os setores da vida pública e particular. Assim, o Partido (NSDAP) foi substituindo os quadros governamentais, tornando-se Estado dirigente na estrutura do Estado administrativo. "Se o decreto de 28 de fevereiro (1933) efetivava o declínio dos partidos o Estado de Weimar, a lei dos plenos poderes assinalava seu fim moral: confirmava o processo de renúncia dos partidos que remontava a 1930, ano em que foi rompida a Grande Coalização." (J. Fest)

 

    Hitler nem apreciava a ideia de 'revolução': "Nós não somos revoltosos contando com Lumpenproletariat." Preferia ser o dirigente de uma "violência ordenada" o mais 'legalizada possível'. E outra: enquanto na Itália, o Duce Mussolini ficava à mercê do poder monárquico, e do Rei Vittorio Emanuelle II, na Alemanha, Hitler, o Chanceler do Reich, quando da morte do Presidente Hindenburg, viu-se imperando (agora o Fueher!) com seu Partido-Estado, um novo Kaiser sem um Bismarck. O poder executivo torna-se também legistlativo (os decreto-lei) e acabou-se a divisão aconselhada por Montesquieu.

 

   "Na realidade, Hitler levara menos de três meses para arrasar seus oponentes e neutralizar quase todas as forças antagonistas. Para se ter uma ideia da rapidez desse processo, basta recordar que, na Itália, foram necessários sete anos para Mussolini exibir um poder semelhante." (J. Fest, Hitler, p. 484)

 

    No papel de 'legislador', Hitler evitou medidas drásticas que poderiam torná-lo um 'usurpador', daí o gradualismo e o verniz da 'legalidade'. Eliminou a esquerda, neutralizou os sindicatos, quando até o 1o de maio, data dos trabalhadores, é usada para fins de propaganda! Amordaçou os conservadores, ao fechar os partidos de 'centro-direita', tais como o Partido Social-Democrata (SPD), o Stahlhelm, o Partido Populista Nacional-Alemão, o Partido do Estado, a Frente Nacionalista Alemã, o Partido Populista Alemão, o Partido do Centro, até que em 14 de julho o NSDAP é o único partido legal.

 

    Mas não trata-se de uma estruturação Partido-Estado eficiente. Muitos departamentos se repetiriam, entrando em ações paralelas e até contraditórias. Burocracia estatal se somando a burocracia partidária! O totalitarismo é frágil: é refém da burocratismo. "Num contraste absoluto com a lenda popular que exalta o poder de decisão dos sistemas totalitários e sua enetgia realizadora, o que diferencia na realidade tais regimes dos outros de organização estatal é o fato de estarem muito mais próximos do caos: toda a pomposidade da ordem expressa não é, em última análise, senão uma tentativa para dissimular, por trás de uma fachada grandiosa, a confusão inevitável inerente a essa técnica do poder." (J. Fest, Hitler)

 

    Para disfarçar asineficiências, o Nazismo não hesitavam em 'gritar mais alto', em 'ritualizar' a vida social. Daí toda a mística que o caracteriza. Irracional, religioso, dramático. O Nazismo com seu pseudo-cristianismo e pseudo-paganismo estimulava os irracionalismos, os fanatismos da intolerância, num movimento anti-iluminista, ou seja, toda uma evidente regressão!

 

    O ressentimento religioso e sua consequente intolerância é incapaz de compreender o avanço do Iluminismo. Imagine esse fanatismo num país contra-revolucionário e numa crise econômica. "(Max) Scheller cita como sintomas da tendência anti-racionalista da época o bolchevismo, o fascismo, os movimentos de juventude, os frenesi da dança, a psicanálise, o novo culto da infância e a nostalgia de uma mentalidade primitiva ávida de mitos" (Nota do Livro V, in J. Fest, Hitler) Um desejo de fuga, de retorno ao seio da tradição, contra um mundo mecanizado, industrializado, especializado (ainda que o Exército alemão logo mostraria sua 'Blitzkrieg' altamente técnica e mecanizada!) O mesmo fenômeno que se nota nos japoneses, uma 'duplicidade' querendo a técnica moderna apenas para melhor resguardar a tradição! Absorver a industrialização ocidental sem perder os tradicionalismos. (Difere dos turcos, que se ocidentalizavam)

por Leonardo de Magalhaens 

http://segundaguerramundialww2.blogspot.com

 



Escrito por leonardo de magalhaens às 20h39
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O Nazismo enquanto Estatismo

 O NAZISMO ENQUANTO ESTATISMO

    O estatismo do Nacional-socialismo se destacou pelo centralismo e eliminação do federalismo, com a indicação dos cargos locais a partir dos burôs de Berlim, com um poder delegado de cima-para-baixo. Enquanto o socialismo defende o poder fluindo de baixo-para-cima, com as lideranças locais agindo em coletivos maiores até a confederação à nível nacional.

 

    Este centralismo (que também se encontra no bolchevismo, com tudo decidido pelos burocratas de Moscou) acaba por eliminar os focos de poder espontâneo que deve surgir em cada local/região. Assim, os próprios cidadãos podem resolver os problemas que sabem incomodar a todos mais de perto. E não esperar que uma autoridade lá na Capital venha a intervir para solicionar um problema que é local/regional.

 

    Como foi possível a ascensão do Nacional-Socialismo? Basicamente o atraso democrático da Alemanha, que tentava ainda superar o feudalismo (a nobreza ainda mantinha nichos de poder, o próprio Presidente era monarquista, fã do destronado Imperador!), onde a social-democracia no poder após a derrota de 1918 (assim democrcia passou a ser vista como um elemento externo, imposto pela derrota militar), representadndo uma coligação de centro-esquerda eliminou a esquerda revolucionária (socialistas e comunistas) em 1919 e 1923 e aliou-se com a direita (os populistas, os conservadores e os nazistas), até que os nazistas subiram ao gabinete (Hitler tornou-se Chanceler em 1933) e eliminaram tanto o que restava dos esquerdistas como também abafaram os demais conservadores. A direita se voltou contra o centro e instalou a ditadura totalitária do partido único: o III Reich.

 

     Para uma contextualização vejam http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-93131998000100006&script=sci_arttext&tlng=en

 

 

    Vejamos em detalhes como tal desastre aconteceu. Para que a História não se repita, esperamos.

 

    A apologia da violência é ligada a crítica ao judaísmo. Como? Responsabilizando o Judeu pelo capitalismo e pelo bolchevismo! Os Judeus somente desejam destruir a 'comunidade racial germânica' para governar o mundo - assim resume-se a Propaganda Nazista. Há toda uma crítica do "grande capitalismo internacional", lado a lado com um elogio ao "capitalismo nacional" - assim: o nosso capitalismo é sempre melhor (e socialmente equilibrado) do que o dos outros.

 

    Esse lado 'socialista' do "nacional-socialismo" é que atraiu setores importantes do proletariado, sem o qual Hitler e seus adeptos não teriam força alguma. Aliados ao Exercito - uma cúpula de ordem e poder - os Nazistas poderiam aplicar a sua 'apologia a violência', desde a infância (vide a Juventude Hitlerista, p. ex. um serviço militar obrigatório desde os doze anos!) Com seus lemas e slogans - "Crer, obedecer, combater" - e suas ideologias - "A vida é um combate perpétuo, em que só os fortes vencerão" - os hitleristas não hesitaram em arregimentar todo o povo alemão para um guerra que seria longa e devastadora.

 

)))Eis alguns links sobre a famosa Hitler Jugend -- http://forum.outerspace.com.br/archive/index.php/t-33616.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Juventude_Hitlerista

http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/juventude_hitlerista_a_brasileira_2.html

 

    Com um Estatismo exemplar (pouco devendo em semelhança ao "abominável bolchevismo", como Herr Hitler dizia), o Estado alemão tornou-se uma continua "economia de guerra", com produção controlada e planejada, com enfase nos bens duraveis e armamentos ("mais canhões e menos manteiga", o povo sabia bem). Ainda mais depois da crise do Liberalismo ("a mão invisivel do mercado"), o Planejamento (já existente na URSS) passou a ser uma solução imediata para os desequilibrios de Produção-consumo. Um Estado que existia para assegurar a unificação e fortalecimento da Nação.

 

    Segundo Hitler, o Estado é "instrumento dos fortes e garantias dos fracos, pois o papel do mais forte consiste em dominar, não em fundir-se com o fraco." Ou seja, aqui está o recado, num clima de 'disputa internacional' por materias-primas e mercados consumidores, quem sair na frente e dominar, está justificado! Os povos e etnias rotulados como fracos não terão vez. Assim justificava-se a repressão e a segregação (e posterior eliminação) dos ciganos, eslavos, e (principalmente) judeus.

 

    Diante de toda essa agressividade germânica, as potências ocidentais - Reino Unido e França - tentam 'apaziguar' os ânimos. O famoso "apaziguamento" britânico! Uma caricatura de Belmonte mostra bem o que era: Hitler golpeia a porta da Polônia, cercada com a tranca do Império Britânico, onde se refugia a assustada mocinha Dantzig, e chega um fleumático Chamberlain, britanicamente gentil, a pedir um pouco mais de 'jeitinho' do ditador alemão em arrombar a porta 'sem estragar a tranca' (!)

 

por Leonardo de Magalhaens

http://segundaguerramundialwww2.blogspot.com



Escrito por leonardo de magalhaens às 15h56
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Relação Fascismo e Nazismo (p1)

 O Fascismo e o Nazismo (p1)

   Semelhanças entre Fascistas italianos e Nazistas alemães? Algumas interessantes: o horror que sentiam do Comunismo (Estatismo, na verdade), apenas para fazerem um outro tipo de Estatismo. O desprezo diante da Democracia liberal, apenas para conservarem um capitalismo atrelado ao Estado (o 'corporativismo'), o ressentimento que leva ao revanchismo. Temos um Goering e um De Bono que representam a 'old school', os conversadores. Um Student e um Italo Balbo que são os 'heróis' militares. Os burocratas, nas figuras de um Borman e um Farinacci. E os aduladores dos chefes, assim um Dino Grandi e um Hesse.

 

   Diferenças entre Fascistas e Nazistas? Uma em especial: o racismo. Os alemães eram seguramente mais inclinados a acreditarem em 'pureza racial', menos miscigenados que são. Os italianos, povo mediterrâneo, é de uma riqueza étnica diversificada. Racismo não fazia sentido. Outra diferença: o misticismo, o culto ao passado. Os italianos permaneciam ligados ao Catolicismo, à 'real política', ao maquiavelismo tradicional, usando o 'Imperium Romanum' para fins propandísticos de decoração, enquanto os alemães se inclinavam a um paganismo à la Nibelungos, um culto a infalibilidade do Fuehrer, a um fanatismo místico bem mais doentio.

 

 

   Contudo a diferença principal (em se tratando de regimes belicistas): o exército alemão foi eficiente, o italiano, não. Veremos isso melhor nos ensaios no blog  http://segundaguerramundialww2.blogspot.com

 

 

 

Os Fascismos

 

A SINGULARIDADE DO NAZISMO

 

 

    Já é um absurdo, uma contradição em termos, desde o nome. Não há possibilidade de um 'socialismo' restrito a uma Nação. O socialismo é trans-nacional, é internacionalista. É impossível uma Nação socialista cercada de nações capitalistas (como defendia Stálin). Marxk foi suficientemente claro: "Proletários de todos os países, uni-vos!"

 

    A combinação desastrosa do Nazismo (o nacional-socialismo): um grupo de irracionalistas fanáticos controlando o melhor exército da Europa.

 

    Os nacionalistas que se diziam socialistas acabaram por seduzir - com seu discurso ambíguo de socialismo e nacionalismo - os trabalhadores e classes médias, que suspeitavam dos movimentos de Esquerda, ainda que desejassem mudanças. Considerando que o verdadeiro socialismo é internacionalista. O nacionalismo somente leva a xenofobia e a calamidade das guerras - jogando os povos uns contra os outros, para o lucro de reduzidas elites militaristas.

 

    Por que o 'socialismo' no nome de um partido de direita? Porque sabia que sem os trabalhadores não poderia atuar como movimento popular. Assim esclarece o historiador R. Stackelberg em "A Alemanha de Hitler" (1999; no Brasil, 2002), "Os fascistas tomavam emprestadas técnicas da esquerda para melhor combater a esquerda" e mais, "o proposital uso enganador de 'socialista' no nome do partido" (não há 'socialismo' nacional - a luta socialista é internacional)

 

    Enquanto os Esquerdistas pretendiam fazer a Alemanha saltar da monarquia semi-feudal para o socialismo, sem estruturar uma democracia liberal, os Direitistas pregavam um governo da 'comunidade popular', numa espécie de 'corporativismo' que lembrava o modo de produção medieval.

 

    Ainda Stackelberg, "Os nazistas também atraíram muito os angustiados da 'velha' Mittelstand, a classe em situação econômica difícil dos pequenos proprietários (camponeses, artistas, modestos comerciantes), que procuravam proteção contra a concorrência das grandes empresas, idealizando um passado em que formavam o principal grupo produtor." (p.21) O NSDAP queria tanto agradar os burgueses (que financiavam) quanto os proletários (que votavam), unindo todos num discurso nacionalista, para bloquear o internacionalismo de esquerda (a união dos socialistas e comunistas).

 

    O programa do NSDAP (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei ) era "anti-capita-lista, antimarxista, antiparlamentar, anti-semita e negava categorixamente a derrota e as consequências da guerra." (J.Fest) Por outro lado, os comunistas nem eram tão fortes, e os nazistas faziam inflar o medo ao 'coletivismo esquerdista', ao mesmo tem em que adotavam símbolos e palavreados de 'revolucionários' (para atrair o proletariado). Mas adotavam a defesa da propriedade e da riqueza, o que atrai os pequeno-burgueses (a maioria era comerciante)  "O desespero e o temor ao comunismo levaram a pequena burguesia para as fileiras do Partido nazista." (J. Fest)

 

    Mais info/detalhes vejam os links http://pt.wikipedia.org/wiki/NSDAP e o programa do NSDAP em http://pt.wikipedia.org/wiki/Nazismo, além de contexto histórico em

 http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=381

 

continua...

 LdeM



Escrito por leonardo de magalhaens às 10h35
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Quem eram os Fascistas?

 Quem eram os fascistas?

    O fascismo e os Intelectuais - Muito escreveram sobre a atração que o fascismo, o irracionalismo, exerce sobre os intelectuais (no Brasil temos exemplos, vejam Plínio Salgado e Gustavo Barroso, além de Cassiano Ricardo e Guilherme de Almeida, modernistas e nacionalistas exaltados), através de imagens simbolicas e as promessas de aça/modificação social. Um chamado ao intelectual para que deixe a "torre de marfim" e se uma ao povo, numa "causa coletiva", uma "luta comum".

 

    Assim, na Itália, no movimento fascistas encontramos ex-socialistas, e jornalistas e litertos, todos muito empolgados. Assim um Giuseppe Bottai, um Alessandro Pavolini, que semelhantes ao Dr. Goebbels, não hesitaram em dedicar seus talentos a causa nacionalista tradicionalista, através da mídia, dos jornais de grande circulação, dos discuros nas rádios, do trabalho na administração publica, ou seja, na "formação da opinião", já digerida para consumo popular.

 

    (Alguns exemplos extra-italianos, de intelectuais engajados no Fascismo. O filósofo Heidegger na Alemanha, o escritor Knut Hamsun, na Noruega, o escritor francês Céline e o poeta norte-americano Ezra Pound. Para ficarmos entre os mais famosos.)

 

    Interesse que em plena era do Iluminismo, com as genialidades de Diderot, Rousseau, Voltaire, Montesquieu, haviam os chamados "déspotas esclarecidos", que diziam compartilhar as Luzes, mas de forma paternalista, sem emancipação do povo. O Fascismo em pleno seculo 20 muito se assemelha ao tal Despostismo Esclarecido, que pretendia 'mudanças', de cima-para-baixo, para resguardar o poder da Nobreza (os aristocratas, os monarquistas). Os despostas esclarecidos queriam evitar uma 'revolução burguesa', enquanto os fascistas lutavam contra a 'revolução proletária'.

 

    Voltados para a 'questão social' - relevante desde a Revolução Francesa com seus sans-culotes e jacobinos - os regimes estatistas - onde o governo tentam paralisar os movimentos revolucionarios - pregam o onipresente 'coletivismo', o "espirito de comunidade". Interessante que tanto o bolchevismo (que se diziam 'comunistas') quanto o nazismo valorizavam mais o coletivo que o individuo. A valorização do coletivo é uma antiga reivindicação socialista.

 

    Os fascistas então passam a usar o Estatismo leninista, e fazerem reformas ANTES que o povo guiado pelos revolucionarios tentem um levante. Ou seja, seguiram o modelo esquerdista para justamente evitar a revolução (dita) comunista. Daí os ex-socialistas (e existem em todo recanto) proclamarem a adesão ao novo ideal nacional: o sepultamente da 'luta de classes'. (Como se Marx tivesse inventado o conceito! A Luta de Classes é um motor do movimento histórico que foi observado por Marx. É como dizerem que Einstein inventou a velocidade da luz! Einstein apenas criou teorias e conceitos baseados na velocidade da luz, uma realidade física, independe da vontade dos cientistas.)

 

    Quem eram os fascistas? Intelectuais, ex-socialistas, conservadores, cristãos, militares, juízes, advogados, pequenos comerciantes. Não exatamente a classe alta (que pensamos serem os conservadores-mor) mas a classe média, ambicionando ser a classe alta de amanhã. Mas, a situação econômica italiana causa mais é uma proletarização dessa classe média, além da 'ameaça' dos movimentos socialistas e comunistas (além dos anarquistas). Querendo ser rica, a classe média morre de horror de ser jogada entre os pobres. Pior ainda se os pobres subirem ao poder!

 

    Temendo o próprio movimento esquerdistas, muitos socialistas passam para o campo oposto, o Partido Nazionale Fascista (PNF). Assim um Roberto Farinacci, que atuava no sindicato fascista dos ferroviários, um fascista agrário anticlerical, que era anti-tedescos e depois passou a ser entusiasmado apoiador dos nazistas (quando tornou-se secretário) O próprio Mussolini, como sabemos, foi socialista. Também Michele Bianchi (foi secretário, Ministro do Interior), e Leandro Arpinati (que foi sub-secretário), que iniciou sua vida política como anarquista, e depois socialista.

 

   Haviam os monarquistas clericais, todos os que se sentavam a sombra do rei Vittorio (um exemplo é o Conde Ciano, foi embaixador e Ministro de Relações Exteriores), e haviam os fascistas republicanos (que apoiaram Mussolini depois de 1943, quando da República de Salò), como é exemplo Alessandro Pavolini.

 

   Os ex-soldados encheram as fileiras fascistas: Ettorre Muti (aviador, foi secretário), Emilio De Bono (foi ministro), Italo Balbo (aviador, foi Ministro da Aeronáutica), Dino Grandi (Ministro do Exterior), Giuseppi Bottai (ministro das Corporações), Achille Starace (da Milicia, OVRA), para mencionar os 'figurões' do PNF.

 

   O que mostra que o Fascismo enquanto Partido não era unido (nem tampouco o NSDAP, os Nazistas, entre a 'real política', vide um Ribbentrop, um Goering, e o racismo fanático, um Himmler, um Heydrich) com um Bottai ambíguo, querendo socializar e manter a ordem (a capitalista, a do sistema econômico), batendo de frente com um Arpinatti que ressitia ao Estado total.

 

   Somente a cumplicidade dos fascistas, após o assassinato do deputado socialista Giacomo Matteotti, em junho de 1924, consolidou uma política conjunta para se manter no poder, sufocando os outros partidos. Depois de 1933, outra divisão se notou entre os italianos, os que eram nazófilos (Farinacci, Buffarini Guidi, Starace, Muti) e os antinazistas (Balbo, Ciano, Grandi, Bottai, Badoglio, Del Bono), o que fragilizou a coesão das forças italianas na Guerra (foi Mussolini quem realmente apostou tudo no jogo do Fuehrer)

 

   Para quem lê em italiano veja http://it.wikipedia.org/wiki/Giacomo_Matteotti

 

   A ditadura fascista, assim, durou de 1924 a 1943, quando os Aliados anglo-americanos e franceses atingiram o norte da África e avançaram no Mediterrâneo até a Sicília, e os figurões do partido se reuniram no Grande Conselho (julho/1943) e Grandi, Bottai, Ciano, Del Bono votaram contra Mussolini. (Depois os que votaram foram 'justiçados' pelos que seguriam o Mussolini-fantoche dos nazistas, até mesmo o Conde Ciano, vejam em o Processo de Verona, quando são executados os líderes acusados de 'traição', http://it.wikipedia.org/wiki/Processo_di_Verona .

 

   Muitos italianos - da própria cúpula fascista - eram contra a aliança militar com o III Reich (Alemanha nazista), que levaria a uma guerra total contra a Grã-Bretanha e os Estados Unidos da América, além da rival França. Assim encontramos Italo Balbo, famoso aviador, que ousou duas travessias do Atlântico, em 1931 e 1933, e morreu vítima da própria artilharia anti-aérea italiana em Tobruk, junho de 1940. Balbo era fã do Ocidente, amigos dos anglo-saxões, e desconfiava da competência bélica italiana. Uma luta contra os ingleses no Egito e no Sudão, e no Oriente Médio, além do Mediterrâneo? Um conflito com os franceses na Argélia e na Síria? Com que recursos? Derrotar a Etiópia e a Albânia é uma coisa, outra é desafiar as potências!

 

    O próprio Mussolini sabia que uma guerra poderia levar a Itália a ruína e avisou ao Fuehrer. Mas em 1940, empolgado com os sucessos germânicos, não hesitou em invadir o sul da França, e o Egito, onde sofreu resistência nos dois fronts. Paralisados nos Alpes franceses, e praticamente aniquilados na África do Norte, por reduzidas forças inglesas, os italianos logo descobrem que a guerra será total e acima de tudo "guerra de material" (Materiallenschlacht, material war), não bastam numerosas tropas, mas recursos industriais, logística, apoio aéreo, uma mobilização nacional, enfim.

 

A primeira grande derrota italiana na Segunda Guerra Mundial em http://www.2guerra.com.br/sgm/index.php?option=com_content&task=view&id=22&Itemid=28 e http://www.grandesguerras.com.br/artigos/text01.php?art_id=216

 

por Leonardo de Magalhaens



Escrito por leonardo de magalhaens às 11h05
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Fascismo Italiano (Intro)

 

Os Fascismos

 

O Modelo Italiano

 

    Mesmo vitoriosa na Grande Guerra, a Itália não se recuperou das perdas e baixas. Sentiu-se humilhada nos acordos com as potências (Reino Unido e França, principalmente) e abalada por movimentos de Esquerda (exatamente o que acontecia na Alemanha, na França e na Europa Oriental), a ponto de recorrer aos movimentos conservadores (e também 'revolucionarios') de Direita: os camisas negras, os Fascistas. Como os adeptos de Mussolini subiram ao poder? Pressionando os monarquistas tradicionalistas até que o rei Vittorio Emanuelle 'convidou' o Duce para formar um gabinete de governo.

 

    Essa união de monarquistas e burgueses já era esperada (e denunciada) pelos libertários (socialistas e anarquistas) desde a aurora do século. Uma caricatura do tcheco Franz Kupka, "Liberté", publicada em "L'Assiette au Beurre" (jornal libertário francês, 1901-1912), mostra um rico e gordo capitalista, de cartola e charuto, acomodado em sua poltrona, cercado de exército e cavalaria, canhões e gerdames, com atenção voltada para a coluna de operários, trabalhadores que seguem para as fabricas de sua propriedade, cujas chaminés esfumaçantes podem ser vistas ao fundo. A exploração do proletariado é feita com a força do Estado, mantido pelos proprietarios.

 

    Outra caricatura, esta alemã, de 1926, mostra o rei italiano. "O Rei Vitor Emanuel homenageia o símbolo do Novo Império Romano", onde cercado de camisas-negras de braços erguidos, deposita uma coroa de louros ao pé do busto onde se lê: "Der Begründern des Neuen Romischen Weltreichs", e onde se ergue uma loba, mastigando a 'província do Tirol', mas que não amamenta Remo e Romulo, mas um gordo bebê Mussolini e um barbado bebê D'Annunzio!

 

    Os alemães ainda não sofriam a ditadura hitlerista, em 1926, por isso ainda podiam criticar o imperialismo italiano (ao qual Hitler logo se aliou), denunciando as intenções belicistas do novo governo fascista. Por que o fascismo leva à guerra? Por necessidade de manter o povo arregimentado, em estado de alerta, como soldados disciplinados e obedientes, no sentido de manter (e conquistas) as colonias afro-asiaticas que ainda não estavam em poder de ingleses e franceses. Além do mais, havia uma ameaça: o comunismo.

 

   "O Estado fascista é um tipo de Estado autoritário de uma sociedade em crise. O regime ditatorial forjou novas instituições sem, no entanto, fazer desaparecer muitas das antigas." Ou seja, numa especie de 'reformismo' de 'cima-para-baixo', à la Bismarck, antes que "o povo a faça" Um movimento ampliado pelo Estado - que passa a ser identificado ao Povo e ao Partido. (Fenômeno notavel desde Lênin, quando o PCRS assimiu o Estado-URSS) Daí dizer que o Estado é totalitário, Estado-Partido influindo e controlando em todas as ações dos cidadãos. "Espiritual e materialmente não existiria qualquer atividade humana fora do Estado, neste sentido o fascismo é totalitário" (Mussolini, 1935)

 

   "Eu tomo o homem no seu nascimento e não o abandono até a morte, quando cabe ao Papa se ocupar dele", dizia o cinico Mussolini, acrescentando sempre que "Tutto nello Stato, niente al di fuori dello Stato, nulla contra lo Stato" (Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado), numa coletivismo-estatista que muito se assemelhava ao Estado stalinista que surgia na URSS! (Para melhor combater o que chamavam de 'comunismo', os fascistas não reforçavam a Democracia, mas implantavam uma ditadura estatista praticamente semelhante ao estalinismo - com uma diferença: numa 'revolução' de cima-para-baixo, com apoio das elites)(Lembrar que em 1929, o Times (London/GBR) usa o termo 'totalitarismo' para comparar fascismo e bolchevismo (URSS))

 

    Agindo como 'unificador', o Estado amortece a 'luta de classes' num sistema de corporações (daí o termo 'corporativista'), estabelecendo 'leis trabalhistas' (vide o Estado Novo em Portugal e o Estado Novo no Brasil, com um 'trabalhismo' composto de sindicatos atrelados, onde a ação proletária era totalmente sufocada), onde os patrões e empregados unidos nas corporações buscavam minimizar os conflitos entre Capital e Trabalho. Essa política de 'apaziguamento' entre operários e patrões é corporativista a lembrar os moldes medievais em contraponto aos métodos capitalistas, que causam a desunião nacional. (Ou seja, um Estado forte para impedir os 'conflitos sociais' e os 'antagonismos de classe' que são mais claramente notados num 'sistema parlamentar'.)

 

   "A democracia termina e o fascismo começa onde o poder político e o poder das empresas são inseparáveis.", disse Mussolini, sem acrescentar o poder da imprensa e da religião. A democracia perdeu o sentido quando se tornou mera peça de propaganda - os cargos políticos sob controle das elites que manipula o voto popular. O fascismo colocaria as 'coisas nos eixos', tiraria as máscaras! Surge então o mito da eficiência do Fascismo, o fim dos atritos, a união social - pura maquilagem!

 

    Tanto é 'retórico' o modelo italiano, de tamanha verborragia e arrogância, que ostentando todo um discurso militarista guerreiro, o exército italiano não conseguiu atingir as mínimas metas em sua campanha desastrosa na Segunda Guerra Mundial. (A fraca Etiópia - ou a Albânia - nem se compara ao eficiente exército britânico no deserto!) Querendo ganhar a guerra com grandiosos discursos foi o 'tiro no pé' para o governo do Duce.

continua...

por Leonardo de Magalhaens

 



Escrito por leonardo de magalhaens às 10h27
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As Faces dos Fascismos - elites, propaganda, doutrinação

OS  FASCISMOS

 

Os Fascismos enquanto rodízio de elites

 

    O conceito de "rodízio de elites" ( ) é proposto pelo sociólogo Vilfredo Pareto (1848-1923), veja em http://pt.wikipedia.org/wiki/Elite_(sociologia) , e também mais detalhes em http://media.pfeiffer.edu/lridener/courses/CIRCELIT.HTML  onde a circulação de elites ocorreria em todo momento de decadência de antigos poderes e ascensão de novos valores, onde uma classe desprestigiada é deslocado por outra com novas ambições de poder.

 

    Veja mais em http://forumpatria.com/index.php?topic=1616.0, e também em http://educacao.uol.com.br/sociologia/ult4264u27.jhtm

 

 

    Os fascistas italianos não eram da nobreza, da Casa de Savóia, mas sim burgueses, antigos sindicalistas, jornalistas, militares, ex-socialistas (assim o próprio Mussolini), que conseguiram atrair os trabalhadores e assim assegurar legitimação política, até marcharem para Roma, e quando Mussolini recebeu o convite do Rei Vittorio Emanuele III para organizar o governo. Depois, o Duce extinguiria os demais partidos e até assumiria a função do rei no comando militar. (Um paralelo com Primo de Rivera e Franco, na Espanha, e Hitler, no III Reich)

 

    Já os nazistas eram ausländer, isto é, estrangeiros, forasteiros, o próprio Hitler era austríaco e Hesse nascera em Alexandria, no Egito. Von Schrach nasceu na Filadélfia, EUA, Rosenberg era da Estônia, Seyss Inquart era austríaco. E as elites que administravam a República de Weimar era a casta militar prussiana (Luderdorff, Hindenburg, Schleicher, etc) apoiada pelos latinfundiários (Junkers), além dos capitalistas industriais em recessão (devido a Crise de 1929).

 

 

Os Fascismos enquanto Propaganda

 

 

    Lembrado como o sacerdote-mor da Propaganda enquanto instrumento de lavagem-cerebral, Joseph Goebbels é aquele que dizia "uma mentira muito repetida torna-se verdade", quando justificava seu método de anestesia das massas populares.

 

    Descaradamente Hitler dizia que "toda propaganda deve ser popular e regular seu nível intelectual pela receptividade do mais limitado." Ou seja, nivelar por baixo, tratar todos os estratos sociais como lumpenproletariat, ou meras crianças, a espera de alguém que seja o Guia (o Fuhrer). Promessas de milagres, metáforas da conquista, obsessões ideológicas, discriminação racial, o culto a personalidade.

 

    As democracias (as ditas democracias, claro) e os coletivismos estatistas (ditos 'socialistas') nunca hesitaram em usar slogans/imagens em hinos e cartazes exaustivamente difundidos, como uma forma de legitimar suas ambições de 'conhecimento total', tutelando as massas 'desinformadas' e incultas, para melhor guiá-las em prol da grandeza da Nação.

 

   A onipresença da Propaganda Oficial é tamanha que o que não pertence ao Partido (ligado ao Estado) não existe. A população sabe apenas o que a mídia governamental deseja. Mesmo perdendo a guerra, os regimes fascistas continuavam falando em 'vitória final'.

 

 

A propaganda enquanto doutrinação

 

 

    Como forma de doutrinar e legitimar suas ações, o Estado não poupa esforços no sentido de utilizar meios de propaganda, sejam cartazes, sejam discursos – no rádio e TV – sejam hinos nacionalistas, ou festivais, com desfiles, rituais e uniformes. Toda uma variedade de divertimentos é arquitetada e anunciada pelo Estado. Toda uma hierarquia de privilégios é prometida aos cidadãos devotos. Aqueles que mais se esforçam podem freqüentar ambientes, clubes e festas ao lado dos Maiorais, dos Governantes, até do Líder, do Pai dos Pobres.

 

    Para melhor manter seu domínio, o “culto à personalidade” é ensinado na tenra educação das crianças, que aprendem que a figura do Estado – e do Líder – zela pelo bem-estar de todos. Assim,crescendo, as crianças são devotas do Governo aponto de até denunciar os pais e familiares, caso notem alguma “irregularidade” na devoção dos mesmos. Não há outra legitimação do que o Estado. (Mussolini: “nada fora do Estado, nada acima do Estado, nada contra o Estado”)

 

    A propaganda é constante para que não haja dúvidas de quem manda, quem tem as rédeas, uma vez que somente assim o cidadão se sente orientado e confortado. Ao contrário de exercer a liberdade, o cidadão espera ação do Estado. O Governo é que deve solucionar e prover, nunca o povo. O povo está sob as asas do Pai, sob a sua benevolência e proteção, ale de constante vigilância.

 

    Assim, mais do que um criminoso, o “subversivo”, o “dissidente”, é um ‘ingrato’, um ‘insatisfeito’, e deve ser isolado e tratado (o que não falta é hospício em estados totalitários)

 

    A propaganda “é a alma do negócio”, diz a publicidade do mundo capitalista liberal. Mas a propaganda – tal concebeu o genioso Goebbels – é a “alma da verdade” (e defendia cinicamente que uma mentira muito repetida acaba por tornar-se verdade) do Estado protetor, paternalista. As batalhas são ganhas mais nos noticiários do que nos embates, o moral do povo deve ser continuamente exaltado e manipulado. Estatísticas são mudadas, números são alterados, informações são adulteradas, proibidas, ocultadas. Somente a “versão oficial” tem validade.

 

    Ser fascista é gritar mais alto. Mostrar que não tem dúvidas quanto a uma proclamada versão da História. "A superioridade do fascismo em relação a seus numerososo concorentes se deve, em parte, ao fato de ter percebido com maior acuidade a essência mesma da crise de que ele próprio era o sintoma. Enquanto todos os soutros partidos aprovavam o processo de industrialização e de emancipação, o fascismo compartilhava visivelmente as angústias da população e se esforçava para abafá-las gritando mais forte do que o povo; transpunha-as para o nível de uma ação turbulenta, procurava drmatizá-las e, recorrendo a um ritual romântico, conferia um certo encantamento ao cotidiano prosaico e tedioso." (J. Fest, in: Hitler)

 

    Hitler confessava: "Só poderei conduzir as massas arrancando-as de sua apatia. Só se pode dirigir as multidões fanatizadas. Uma multidão apática e embrutecida, eis o maior perigo para a comunidade." (idem, ibidem) Daí o estímulo constante, audio-visual, de espetáculo drmático, com os desfiles, as manifestações, os discursos, os slogans, os hinos, as saudações, as insígnias, a ameaça do inimigo externo (os ocidentais, os poloneses), o inimigo interno (os comunistas, os judeus), o Terror.

 

CONTINUA...

Leonardo de Magalhaens

 



Escrito por leonardo de magalhaens às 16h27
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Os FASCISMOS enquanto Militarismo

OS FASCISMOS

Os Fascismos enquanto militarismo

 

    E o fascismo na França era basicamente de reacionarismo militarista. "Aqueles cujos pais tinham odiado Dreyfus, os judeus e a cadela-República - algumas figuras de Vichy tinham idade suficiente para tê-lo feito pessoalmente - transformaram-se sem sentir em fanáticos defensores de uma Europa hitlerista. Em suma, a 'natureza' da aliança da direita entre as guerras ia dos conservadores tradicionais, passando pelos reacionários da velha escola, até os extremos da patologia fascista." (Hobsbawm)

 

    Principais direitaistas da França: os monarquistas da Action Française (de Charles Maurras), os combatentes dos fronts de outrora no Croix de Feu (do Coronel La Rocque), grupos que depois da arrogância nazista passaram para a Resistência, que se tornou assim um 'centrão' congregando direita e esquerda.

 

    A presença dos oficiais nos movimentos fascistas. Muitos dos soldados humilhados nos fronts, derrotados e mesmo feridos, se deixaram fascinar por uma volta ao ideal de glória militarista, assim os freikorps na Alemanha, de onde saíram muitos que ingressaram nas tropas das S A (Sturmabteilung, Tropas de Assalto, ou Divisão de Ataque)  more info in: http://en.wikipedia.org/wiki/Sturmabteilung), ou os squadristi (os camisas negras )na Itália, onde mais da metade (57%) dos fascistas eram ex-soldados da Primeira Guerra Mundial (veja em http://en.wikipedia.org/wiki/Blackshirts e também em http://it.wikipedia.org/wiki/Milizia_Volontaria_per_la_Sicurezza_Nazionale ), lembrando também a presença de fascistas na Grã-Bretanha (os seguidores de Oswald Mosley), veja o link http://en.wikipedia.org/wiki/British_Union_of_Fascists ) e os jovens oficiais brasileiros autoritários que seguiam ou os 'tenentistas' (ou depois da Coluna Prestes (*), as Esquerdas aliadas) ou os 'integralistas' (seguidores de Plínio Salgado, veja em http://pt.wikipedia.org/wiki/Pl%C3%ADnio_Salgado e http://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7%C3%A3o_Integralista_Brasileira )

 

(*)Sobre a Coluna Prestes, veja mais informações em http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=296

e sobre o tenentismo em http://www.grupoescolar.com/materia/tenentismo.html

 

 

    Muitos acreditavam ainda no mito da 'eficiência fascista', ao dizerem, "Mussolini faz os trens rodarem no horário", como se somente um governo centralizador e autoritário pudesse fazer os mecanismos (e serviços) sociais funcionarem. Contudo, a corrupção na Itália não foi extinta, e o quadro militar não era aberto às novidades. A Itália fazia a guerra nos mesmos moldes da França e da Polônia - um modelo tradicionalista, baseado em grandes tropas e predominância de infantaria.

 

    Os britânicos diziam "Hitler significa a guerra!", principalmente um Churchill nos bastidores, quando notavam o ideal nazista de uma "economia de guerra", com um povo organizado igual um exército. Ainda que discursando sobre a paz, Hitler sabia que somente quem tinha armas podia jogar no cassino político da Europa. Queria afastar a França da Grã-Bretanha, mas também assegurar o apoio da Itália. Mas antes de 1935, Hitler estava ainda isolado 'diplomaticamente'. Realmente o reaparelhamento do Exército alemão (agora Wehrmacht) foi que desequilibrou a balança a favor dos nazistas.

 

Mais detalhes sobre o (des)armamento alemão vejam o link http://www.2guerra.com.br/sgm/index.php?option=com_content&task=view&id=144&Itemid=29

 

 

A guerra enquanto aglutinador social

 

   É sabido que a guerra em ampla escala nunca é 'aglutinadora', mas ao contrário, terrivelmente devastadora, inclusive para quem as inicia, e está no comando. Os fascismos, com todo o rancor anti-liberalismo, subiram ao poder com a desagregação do poder tradicional devido à extensão descomunal do conflito, a imensa mortandade, a perda de moral, e queda dos Impérios, com a fragmentação do Austro-Húngaro (fim dos Habsburgos), com a revolução bolchevique no Russo (fim dos Romanov), a ruína do Germânico (a fuga do Kaiser e as revoltas socialistas).

 

    A guerra semeiou o ódio entre os povos, afetando até mesmos as campanhas socialistas, onde os proletários se viram lutando contra proletários, camponenes contra camponeses, destruindo todo o possível conceito de solidariedade cristã ou socialista. Trazendo desagregação, o conflito veio a derrubar as próprias elites, incapazes de controlarem as forças devastadoras que iniciaram. Novas elites, portadoras de novos conceitos (ou reciclando conceitos antigos) se prontificaram a ocupar os espaços de poder. Mas, alguns grupos contavam com maior apoio do que outros. Os militares preferiam os conservadores, e temeiam os reformadores. Assim analisa Hobsbawm, "O fascismo chegou ao poder pela conivência com, e na verdade (como na Itáli) por iniciativa do velho regime, ou seja, de uma forma 'constitucional' "

 

    Quando subiam ao poder, os fascistas logo dominavam tudo. A figura do Líder (Duce ou Führer) torna-se personificação do Estado. Não houve uma 'revolução fascista' (que não passa de 'retórica fascista'!) nem o fascismo foi uma "expressão do capitalista monopolista". Na verdade, os capitalistas se beneficiaram da submissão do proletariado ao regime ditatorial, com a destruição dos movimentos trabalhistas.

 

    A idéia de “superioridade bélica” é logo pregada nos países sob Estado fascista, no sentido de exaltação do Povo, da força do Povo, da Raça, do Destino da Nação, no sentido de arregimentar os proletários e sufocar os sindicatos. Toda produção, todos os esforços devem se voltar para a guerra e para as conquistas, assim não deve haver espaços para “lutas de classes”, pois na guerra não existem patrões e empregados, ms oficiais e soldados, uma “pátria de uniforme” disposta a viver e morrer pela Nação.

 

    Assim, ao contrário do verdadeiro socialismo, que é internacionalista, os fascismos são nacionalistas e acabam jogando as classes trabalhadoras de um país contra as outras de outro. Os trabalhadores tornam-se joguetes nas mãos dos comandos. A produção é dirigida e o sindicalismo é controlado (ou desmembrado). A iniciativa é toda do Estado, que dita, de cima para baixo, até as mínimas orientações quanto a tipo e quantidade de produção, e interfere até na vida pessoal, com vigilância e pregação moral-política, a chamada “doutrinação”.

 

    Para o conflito é necessária a figura do “Inimigo”. A importância do inimigo interno e/ou do inimigo externo é sempre acentuada para unir o povo contra a ‘subversão’ e contra os elementos ‘exógenos’. O aparato do Estado é ampliado na promessa de trazer ‘segurança’ ao povo, que então assim se submete. Trocam a possível liberdade política por uma palpável segurança, que logo se torna onipresente e onisciente, invadindo cotidiano e intimidades.

 

    A guerra, seja contra o mal interno ou a ameaça externa, ou ambas, tem ação sobre as inseguranças e temores da massa popular que é facilmente levada a crer que o Estado luta para manter uma ordem que os ‘subversivo’ ou os ‘estrangeiros’ se esforçam por destruir.

 

    No mais, a guerra é prometida como único meio para a conquista, o crescimento e a prosperidade. Tudo é luta e só não lutam os fracos. Assim, o proletariado é envolvido numa luta nacional – numa luta entre nações – enquanto verdadeiro ideal para o proletariado seria o internacionalismo (“Proletários de todos os países, uni-vos”, proclamou Marx) A guerra em escala mundial somente favorece os imperialismo e a indústria de armamentos.

 

Leonardo de Magalhaens



Escrito por leonardo de magalhaens às 17h41
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